- A rede elétrica australiana está usando energia renovável tão pouco dependente de carvão quanto o próprio carvão, com a solar respondendo por uma parcela significativa do total de energia.
- Na última semana, a solar forneceu 30% de toda a eletricidade da rede principal do país; entre 9h e 18h, a participação chegou a 59% da demanda.
- Em horários de pico solar, 12h às 13h, a produção solar atingiu 67% do consumo; em NSW e SA, ficou acima de 70%.
- O carvão, antes responsável por quase a totalidade da energia, ficou reduzido a cerca de um quarto da eletricidade usada ao meio-dia, com apoio de vento, hidro, baterias e gás.
- O share de renováveis no quarto trimestre de 2025 ultrapassou 50% pela primeira vez, e houve queda de 44% nos preços de wholesale; as baterias cresceram o triplo em um ano.
Nas últimas semanas, a rede elétrica da Austrália tem mostrado mudanças rápidas e profundas no mix de geração. Em meio a uma onda de calor no sudeste, o país registrou resultados que desafiam previsões antigas sobre a presença de renováveis no sistema.
Ao longo dos últimos sete dias, a solar respondeu por 30% de toda a eletricidade da rede principal, que atende os cinco estados leste-centrales e o Território da Capital. Isso ocorre tanto de dia quanto de noite.
Durante o horário de maior insolação, das 9h às 18h, a energia solar atingiu 59% da demanda, com 37,6% do total vindo de instalações residenciais em telhados, em torno de 4 milhões de casas, somadas às usinas de grande escala.
Dylan McConnell, pesquisador da Universidade de New South Wales, aponta que entre 12h e 13h a saída de solar chegou a 67% do consumo, com mais de 70% em NSW e em Sydney. A carvão, base histórica, perdeu espaço no período, pois solar é muito mais barato.
Quando o sol se põe, a matriz volta a depender mais de carvão, com participação de vento, hidrelétrica, baterias e gás para sustentar o fornecimento. O uso de carvão continua essencial para manter a rede estável no restante do dia.
Apesar da mudança, o sistema ainda depende de usinas a carvão e lignito para funcionar de forma segura. A construção de condensadores síncronos e outros dispositivos de rotação é citada como necessária para manter a estabilidade durante a transição.
A rede australiana registra, em média, que as fontes renováveis já respondem por quase metade da eletricidade anual. Em alguns períodos, as renováveis superam o carvão, especialmente no último trimestre de 2025, segundo operadores de mercado.
Em relação aos preços, houve uma redução de 44% no preço de wholesale em comparação com 2024. Além disso, a saída de energia de baterias aumentou, chegando a triplicar no último ano.
A evolução é observada com cautela. Cinco anos atrás, renováveis respondiam por cerca de 26% da geração e, há uma década, por menos de 15%. A solar, em particular, representa uma parcela menor de contribuição histórica.
Segundo o especialista, dias de grande calor e demanda elevada não resultaram em apagões ou desabastecimento. O sistema apresentou volatilidade baixa, mesmo com picos de demanda em cidades como Melbourne durante o verão.
A mudança é vista como um marco: a Austrália avança rumo a uma rede muito mais dependente de energia limpa, mantendo, ao mesmo tempo, a necessidade de novos investimentos para substituir a capacidade das usinas fósseis à medida que vão fechando.
A transição ocorre em ritmo acelerado, com avanços significativos no uso de renováveis, mas mantendo-se a cautela sobre a velocidade de investimentos e a segurança energética durante o processo de descarbonização.
Entre na conversa da comunidade