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Mercúrio, dragas e crime: garimpo ilegal devasta o rio Nanay no Peru

Vôo de reconhecimento aponta cerca de quarenta dredges no Nanay; entre 2021 e 2025, novecentos e trinta e nove em atividade, com mercúrio e impactos sociais

On a small airplane, José Manuyama, a professor, frowns and shakes his head with anguish while thousands of feet below, five dredges operated by illegal miners excavate the Nanay River Basin, in the Loreto region in the Peruvian Amazon. “They are like enormous leeches in the water,” said Manuyama. The plane has begun its second hour of the flyover above the Nanay River and, so far, the people on board have seen about 40 dredges. The Nanay is surrounded by shiny riverbanks with an ochre hue, a result of the mercury used by the illegal miners to separate gold particles from other sediments. River mining is prohibited by Peruvian law.
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  • Flyover no Nanay, em Loreto, Peru, mostrou cerca de 40 dragas operando e indicou uso de explosivos; 939 dragas foram registradas entre 2021 e 2025, com 688 apenas em 2025.
  • No mês de agosto de 2025 foram destruídas 20 dragas, e dias depois outras sete em duas seções do rio; há relatos de novas instalações nos mesmos locais.
  • A contaminação por mercúrio é evidente ao longo da bacia do Nanay, com estudo de 2025 mostrando alta exposição entre moradores, incluindo 79% dos participantes com níveis acima do limite da Organização Mundial da Saúde.
  • A atividade ilegal já afetou 24 rios e ravinas de Loreto, envolvendo 29 comunidades indígenas e 362,25 hectares de área impactada; a mineração utiliza dragas, explosivos e redes de suprimento que dificultam a fiscalização.
  • Grupos criminosos ligados ao tráfico e à extração ilegal estariam migrando para a mineração, com relatos de uso de drones, internet por satélite e confronto com postos de vigilância.

O Nanay, afluente amazônico na região de Loreto, sofre com mineração ilegal em áreas fluviais há anos. Um sobrevoo de drone revelou cerca de 40 dredges em operação, entre 2021 e 2025, com 939 máquinas apreendidas no período e 688 apenas em 2025. Explosivos também foram observados durante a fiscalização.

Os técnicos são unânimes: o uso de mercúrio para extração de ouro contamina o rio e os moradores. O sobrevoo contou com a participação de representantes do FEMA Loreto, o Ministério Público Ambiental e a Fundação para Conservação e Desenvolvimento Sustentável (FCDS), além de especialistas de universidades e embaixadas.

O último registro de fiscalização ocorreu em agosto de 2025, quando 20 dredges foram destruídos em pontos ao longo do Nanay; dias depois, novas operações indicaram retorno dos equipamentos aos mesmos trechos. Um estudo de 2025 aponta alta exposição a mercúrio entre moradores da região.

Avanço da prática e impactos ambientais

O relatório da FCDS indica que a mineração ilegal está presente em 24 rios e ravinas de Loreto, atingindo 29 comunidades indígenas e 362,25 hectares de área degradada. Dredges se concentram entre as comunidades Puca Urco e Alvarenga, com atividades que chegam a vários pontos do leito e margens, diariamente.

Procuradores da FEMA Loreto destacam que, além das máquinas, há uso de explosivos, canos e menções a rotas de transporte em galerias submersas que dificultam a fiscalização. Técnicos alertam que parte da operação ocorre em ravinas e trechos de difícil acesso, aumentando o risco de ocultação de equipamentos.

Estudo de 2025 sobre contaminação por mercúrio em moradores de sete comunidades revelou que 79% dos participantes apresentaram níveis acima do limite recomendado pela OMS. A contaminação também chega a peixes consumidos em Iquitos, elevando o risco para a população local.

Ação institucional e desafios

A ação de fiscalização envolve a Polícia Nacional, o FOES (Força de Operações Especiais) e o SERNANP, com apoio de organizações ambientais. Em operações, comunidades e áreas protegidas são alvo de monitoramento, apreensões e diligências para interromper atividades ilegais.

Autoridades ressaltam que a criminalidade ligada à mineração envolve organizações transnacionais, com indícios de vínculos com grupos dissidentes e redes de tráfico. A aposta é ampliar a presença de vigilância, interromper fluxos de suprimentos e endurecer as medidas de fiscalização.

O Nanay é vital para mais de 500 mil pessoas na Amazônia peruana, mas o ecossistema enfrenta degradação acentuada. Especialistas apontam que a situação pode piorar se não houver prioridade efetiva do governo na repressão à mineração ilegal e na proteção de comunidades ribeirinhas.

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