- Estudo internacional com 19.607 crianças de 3–4 anos, usando dados MICS, em seis países de baixa e média renda: Gâmbia, Geórgia, Madagascar, Malawi, Serra Leoa e Palestina.
- Crianças expostas a temperatura média máxima acima de 30 °C mostram de 5% a 6,7% menos probabilidade de desenvolver habilidades de alfabetização e numeracia, em comparação com aquelas sob 26 °C ou menos.
- O efeito é mais intenso entre crianças de famílias pobres e que vivem em áreas urbanas sem água potável e saneamento adequado.
- Mechanismos possíveis incluem desidratação, distúrbios do sono e impactos no cérebro, além de ganhos indiretos como insegurança alimentar e estresse de cuidadores.
- Limitações: avaliação por relatos de cuidadores em seis países; ainda assim a amostra e o desenho fortalecem a evidência, destacando a necessidade de políticas públicas e novas pesquisas.
Estudo internacional com 19.607 crianças de 3 a 4 anos, em países de baixa e média renda, revela que calor extremo prejudica o desenvolvimento. Dados de MICS foram usados para medir alfabetização e numeracia, entre outros.
A pesquisa avaliou o Índice de Desenvolvimento da Primeira Infância (ECDI) e cruzou informações com temperaturas médias máximas desde o nascimento. O objetivo foi entender o impacto do calor no início da aprendizagem.
Em áreas onde a temperatura média máxima ultrapassou 30 °C, houve redução de 5% a 6,7% nas chances de as crianças apresentarem desenvolvimento adequado em alfabetização e numeracia, na comparação com temperaturas abaixo de 26 °C.
Impacto desigual
O efeito é mais intenso entre crianças de famílias mais pobres, moradoras de áreas urbanas ou em domicílios sem água potável e saneamento. O estudo aponta que o “efeito ilha de calor” nas cidades intensifica esse impacto.
Os pesquisadores destacam vias biológicas e indiretas: desidratação, inflamação, distúrbios do sono e menor qualidade das interações com cuidadores, além de riscos à segurança alimentar e à saúde mental dos adultos responsáveis.
A análise reconhece limitações: o ECDI depende de relatos de cuidadores e não de testes diretos, e o conjunto de dados abrange seis países. Ainda assim, a amostra robusta reforça a evidência de que o calor representa risco ao desenvolvimento infantil.
Os autores defendem mais pesquisas para entender mecanismos e fatores protegem ou agravam a vulnerabilidade. O objetivo é orientar políticas públicas que fortaleçam a resiliência das crianças frente ao aquecimentoglobal.
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