- Pesquisadores apresentam a expressão “economia circular das aves marinhas” para descrever a importância dessas aves em ecossistemas terrestres e marinhos.
- Ao se alimentarem no mar e defecarem nas colônias de nidificação, as aves transferem nitrogênio e fósforo do oceano para a terra.
- Esse fluxo de nutrientes atua como fertilizante natural, ajudando solos a sustentar comunidades de plantas e, por consequência, de insetos, aves e répteis.
- Nos frágeis ambientes da Antártida e do Oceano Antártico, as aves contribuem com mais de oitenta por cento dos nutrientes disponíveis, impulsionando a produtividade; novas ilhas são colonizadas por aves, iniciando a vida local.
- Principais ameaças incluem predadores invasivos (ratos e gatos), bycatch na pesca, poluição plástica, sobrepesca e mudanças climáticas; proteger as aves beneficia ecossistemas inteiros.
Researchers definem o conceito de “economia circular das aves marinhas” em artigo de revisão. Publicação em Nature Reviews Biodiversity descreve como as aves marinhas conectam oceanos e continentes por meio de nutrientes.
O estudo apresenta o termo para explicar que aves marinhas, ao se alimentarem no mar e retornarem a terra para nidificar, transferem nutrientes como fósforo, carbono, nitrogênio e cálcio aos ecossistemas terrestres.
Nick Holmes, coautor e diretor associado de oceanos na The Nature Conservancy, afirma por e-mail que as aves transferem, por meio da alimentação e da defecação, tanto nitrogênio quanto fósforo quanto todas as frotas pesqueiras comerciais somadas.
David Will, coautor e diretor sênior da Island Conservation, ressalta que esse aporte de nutrientes alimenta o solo, molda comunidades vegetais e sustenta populações de insetos, aves e répteis.
Em áreas como a Antártida e o Southern Ocean, as aves marinhas fornecem mais de 80% dos nutrientes disponíveis, o que as torna chave para a produtividade em ambientes extremamente adversos, segundo Will.
O artigo destaca que, quando novas ilhas emergem do mar, a presença de aves traz sementes e nutrientes que iniciam a vida e mantêm o ecossistema local.
A transferência de nutrientes não ocorre apenas do oceano para a terra; estudos indicam que parte dele retorna ao ambiente marinho, alimentando redes tróficas.
Segundo Holly Jones, autora principal e ecologista da Northern Illinois University, ilhas com aves exibem recuperação de recifes de coral após eventos de branqueamento, maior biomassa de peixe e algas macro.
Jones aponta que a vida marinha saudável também eleva a resiliência climática, com recifes crescendo mais rápido e calcificando com maior rapidez.
Apesar da importância, quase um terço das espécies de aves marinhas corre risco de extinção, mencionam os pesquisadores, com predadores introduzidos em ilhas, pesca acessória e poluição por plásticos entre as principais ameaças.
A taxa de mortalidade de aves associada à pesca e o predomínio de predadores em ilhas aparecem entre os principais fatores de risco, com impactos adicionais do aquecimento global.
Os autores defendem que proteger as aves marinhas é uma das estratégias mais eficazes para promover impactos positivos em terra, no mar e nas comunidades humanas, segundo a pesquisa.
Will enfatiza que restaurar aves marinhas ajuda ecossistemas inteiros a se recuperar e prosperar, conforme comunicado de imprensa da Island Conservation.
Impacto ecológico
A revista sintetiza evidências de que a presença de aves marinhas eleva a produtividade de ecossistemas marinhos e costeiros, ao mesmo tempo em que subsidia a resiliência a mudanças climáticas.
Ameaças e conservação
Entre as ameaças, destacam-se ratos e gatos em ilhas, pesca de bycatch e poluição plástica, além de mudanças no clima que afetam presas e habitats.
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