- Turismo de jaguar em Porto Jofre, Pantanal, tornou-se tão intenso que um estudo recomenda novas regras para evitar o colapso do negócio.
- A Pantanal abriga a segunda maior população de jaguar do mundo, estimada entre quatro mil e seis mil animais na região.
- O número de jaguares acostumados à presença humana subiu de 29, em 2013, para 130, em 2023, mudando a forma como o turismo opera.
- O estudo sugere que, com até trinta barcos na água, é melhor limitar o compartilhamento de informações entre guias e formar grupos menores, beneficiando a experiência e os animais.
- O turismo gera cerca de $6.8 milhões por ano e tem impulsionado proteções ambientais no Pantanal, que enfrentou queimadas em pelo menos 15% da região em 2024.
Porto Jofre, no Pantanal, tornou-se polo de turismo de jaguar graças à alta demanda de observação. O ecossistema local recebeu visitantes que buscam ver Panthers em atividades diurnas e noturnas ao longo do rio.
Estudos apontam que a região abriga entre 4.000 e 6.000 jaguas, taxa compatível com a de todo o Pantanal. A concentração de animais ao redor de Porto Jofre aumentou desde a retomada do turismo, há poucos anos.
A pesquisa aponta que a prática, embora benéfica para a conservação, pode sofrer com o habituamento dos animais a pessoas. A presença quase contínua de guias eleva a probabilidade de avistamentos, hoje estimada em até 94% na alta temporada.
Impacto e desafios
Dados da Jaguar ID Project revelam aumento no número de jaguas acostumados com a presença humana: de 29 para 130 entre 2013 e 2023. Com isso, guias costumam compartilhar localizações por rádio, o que pode reduzir a qualidade da experiência.
Especialistas sugerem que, com a alta previsibilidade de avistamentos, o modelo atual exige regras claras. Limitar o compartilhamento de informações e organizar grupos menores poderia melhorar a convivência com os animais.
O turismo de jaguar movimenta cerca de 6,8 milhões de dólares por ano e é visto como motor de proteção ambiental na região, afetada por seca e queimadas. Em 2024, parte significativa do Pantanal sofreu com incêndios de origem humana e natural.
Gestão e próximos passos
O estudo recomenda alterações na operação para evitar o colapso do sistema. Entre as medidas mencionadas estão regras de conduta, rotas de observação e horários que reduzam o estresse dos jaguares, além de incentivos para práticas de manejo do gado mais alinhadas à conservação.
Autoridades locais e operadores de turismo avaliam como aplicar as sugestões sem interromper a atividade econômica que sustenta comunidades. O objetivo é manter o turismo como ferramenta de proteção ao ecossistema sem comprometer a sobrevivência dos jaguares.
Os pesquisadores ressaltam a necessidade de monitoramento contínuo. Mudanças no comportamento animal, se não gerenciadas, podem comprometer a experiência turística e a própria viabilidade da atividade na região.
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