- Em uma noite de maio, 150 pessoas deslocadas pela guerra no Líbano participaram de culto em uma cidade elevada com vista para Beirute, com participação de cristãos e alguns muçulmanos convidados.
- A banda evangélica B-Sharp alterou a letra da música Salam, Salam para citar municípios e vilarejos do sul do território, onde cristãos e muçulmanos sofreram com o conflito.
- A performance buscou promover união entre diferentes religiões em meio a tensões entre Hezbollah e Israel, após meses de guerra e de retaliação que reacenderam o conflito no país.
- O conflito tem provocado milhares de mortes e centenas de milhares de deslocados; a campanha de ajuda humanitária envolve componentes cristãos e muçulmanos, com grande parte das ações direcionadas a comunidades muçulmanas.
- Historicamente, grupos cristãos já adaptaram a letra da música para mencionar áreas em duelo, refletindo décadas de violência na região; a nova versão atual reforça apelo à paz e à convivência entre fiéis.
On a May evening, Claudette El Hajj organizou cinco ônibus para levar 150 pessoas deslocadas pela guerra no Líbano a uma noite de adoração numa cidade de encosta que vigia Beirute. Entre os presentes estavam cristãos que fugiram do sul do Líbano; havia, também, alguns muçulmanos convidados por Claudette e outros participantes. O auditório ficou lotado, e muitos ficaram sem lugar para sentar.
À frente, o filho de Claudette, Gabriel, de 31 anos, e sua banda evangélica, B-Sharp, conduziram o culto. Iniciaram com hinos árabes de adoração conhecidos. Em seguida, a execução tomou um rumo diferente: após tocar as notas de abertura de Salam, Salam, a banda alterou a letra para mencionar cidades do Líbano afetadas pela violência.
Alteração de letra e apelo pela paz
A adaptação de Salam, Salam passou a listar localidades onde cristãos e muçulmanos sofreram nos últimos anos. O público reagiu com emoção, em momentos de choro e oração, ao ouvirem seus lugares de origem citados na música. Gabriel afirmou ter ficado surpreso com a intensidade da reação.
Gabriel e Yara, esposa dele, vêm de Sidon e de Rmeich, respectivamente — regiões entre as citadas no trecho modificado. A reportagem ressalta que as duas comunidades, cristã e muçulmana, convivem no sul do país, ainda marcado por décadas de conflito entre Hezbollah e Israel.
Contexto do conflito e repercussões políticas
O episódio ocorre em meio a um conflito que intensificou tensões sectárias no Líbano. Em março, a retaliação do Hezbollah contra Israel interrompeu mais uma trégua e reacendeu a fricção entre facções. Pesquisas recentes indicam forte ceticismo entre cristãos em relação ao Hezbollah, com críticas à possibilidade de o grupo influenciar o governo.
Do ponto de vista humano, o território libanês continua marcado por vítimas, deslocamentos e destruição. Segundo fontes locais, mais de 3 mil pessoas morreram desde março e milhares ficaram feridas, com centenas de milhares deslocadas. A situação de muitas comunidades permanece precária, sem indicação de retorno em curto prazo.
História de uma família e o papel de mulheres na ajuda humanitária
Claudette, mãe de Gabriel, atua como mediadora entre igrejas e organizações de auxílio, ajudando no repasse de mantimentos a deslocados e moradores remanescentes. Ela diz que grande parte da ajuda alcança comunidades muçulmanas, afirmando que o serviço responde aos princípios de humanidade e amor ao próximo.
A reportagem destaca a participação de pessoas como Mathilda Shammas, deslocada pela sexta vez, que compartilhou que a música, ao longo de anos, tornou-se um símbolo de oração que transcende diferenças religiosas. O evento em May consolidou a imagem de uma comunidade buscando solidariedade entre vizinhos de origens diversas.
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