- A Igreja da Inglaterra pediu desculpas pelo papel nas adoções forçadas após a Segunda Guerra Mundial, envolvendo centenas de milhares de crianças separadas de suas mães entre as décadas de quarenta e oitenta.
- O arcebispo de Canterbury, Sarah Mullally, disse estar profundamente arrependida pelo sofrimento, trauma e estigma vivenciados por mães e filhos.
- Survivors e organizações de adotados criticaram a resposta, afirmando que a desculpa não chega a oferecer reparação e que o processo foi traumático para muitos.
- A igreja informou ter utilizado um projeto de pesquisa que contou com registros incompletos e relatos diretos, avaliando mais de duzentos lares e dezenas de milhares de mães e bebês.
- O compromisso atual é ouvir, lamentar e promover mudanças, reconhecendo que os padrões variaram e que houve condições difíceis e pressões sociais que moldaram os acontecimentos.
A Igreja de Inglaterra pediu desculpas pelo papel que desempenhou em adoções forçadas após a segunda guerra mundial. A retratação chega diante de relatos de mulheres separadas de seus filhos entre as décadas de 1940 e 1980. O apelo público ocorreu em um contexto de denúncias sobre abuso, negligência e traumas duradouros.
A apologia foi anunciada pela arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, em nome da instituição. A Igreja reconhece que muitas mulheres enfrentaram escolhas limitadas em comunidades afiliadas à igreja, e admite que preconceitos por raça e deficiência moldaram experiências e desfechos. O movimento Survivors descreveu impactos profondos que se estenderam por décadas.
Phil Frampton, sobrevivente e ativista de Manchester, nasceu em um lar de mães e bebês ligado à Igreja de Inglaterra, em 1953, em Cornwall. Ele afirma que o pedido de desculpas representa uma vitória histórica para mães solteiras e filhos injustamente perseguidos pela igreja. A declaração, segundo ele, pode ajudar a aliviar a vergonha e a culpa associadas a esse período.
A Adult Adoptee Movement, organização de sobreviventes, afirmou que não houve oferta de reparação suficiente e acusou a igreja de minimizar o papel na prática, dizendo que o pedido não é suficiente para reparar danos. Em resposta, a instituição explicou que a investigação baseou-se em registros parciais, relatos diretos e análises de reports midiáticos e de comissões parlamentares.
Contexto histórico
A Igreja admite ter atuado em potencial em mais de 200 casas sob um sistema descentralizado, com números de mães e bebês na casa de dezenas de milhares. A avaliação aponta que, em alguns locais, as condutas variavam entre gentileza e atitudes severas, com recursos limitados e pressões sociais que influenciaram as decisões de adoção.
Próximos passos e compromisso
Mullally ressaltou o reconhecimento do erro e a importância de ouvir sobreviventes e organizações associadas. A Igreja diz que o objetivo é aprender com o passado, lamentar o ocorrido e promover mudanças para evitar que se repita, reconhecendo a dor de quem viveu essas situações.
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