- Um em seis britânicos acredita que o crescimento da população muçulmana representa uma ameaça fundamental à cultura do Reino Unido.
- 17% dos entrevistados concordam fortemente com essa ideia, enquanto 19% não concordam que muçulmanos nascidos no país sejam tão britânicos quanto brancos não muçulmanos.
- A maioria dos muçulmanos, 73%, considera o Reino Unido um bom lugar para ser muçulmano.
- A pesquisa, realizada pela organização de integração social British Future e pela British Muslim Trust, baseia‑se em uma amostra representativa de duas mil pessoas e chamou o estudo Understanding Anti-Muslim Hostility: Foundations for Action.
- A British Muslim Trust lançou, em julho do ano passado, uma linha de apoio a crimes de ódio contra muçulmanos e tem percorrido o país para dialogar com as comunidades.
Foram apresentados resultados de um estudo conjunto realizado pela think tank British Future e pela British Muslim Trust sobre atitudes em relação aos muçulmanos no Reino Unido. A pesquisa aponta que aproximadamente um em cada seis britânicos considera que o crescimento da população muçulmana representa uma ameaça à cultura britânica. A análise destaca ainda a possibilidade de normalização de atitudes hostis contra muçulmos.
Segundo o levantamento, a maioria dos muçulmanos entrevistados (73%) acredita que o Reino Unido é um lugar bom para praticar a própria religião. Além disso, há um consenso entre os respondentes de que muçulmanos nascidos no país são tão britânicos quanto brancos não muçulmanos.
Apesar disso, 17% da população ampla concorda de forma contundente que o crescimento da população muçulmana representa uma ameaça fundamental à cultura britânica. Outras 19% discordam da ideia de que muçulmanos nascidos aqui são tão britânicos quanto brancos não muçulmanos.
Contexto e atuação das organizações
A British Muslim Trust foi criada em julho do ano passado e inaugurou uma linha de apoio a crimes de ódio contra muçulmanos, além de realizar encontros com pessoas em diferentes regiões do país. A diretora da instituição, Akeela Ahmed, aponta que muitos muçulmanos relatam sentir que sua identidade é questionada de forma sem precedentes, mesmo com integração e participação ativa na sociedade.
Ahmed enfatiza que, apesar do senso de pertencimento entre os muçulmanos, a próxima geração pode enfrentar impactos na coesão social se permanecer a dúvida sobre a residência no país. Ela sinaliza dois pontos chaves: o papel das redes online na disseminação de desinformação e o contato interpessoal como ferramenta para reduzir preconceitos, especialmente em relações locais.
Metodologia
A pesquisa utilizou uma amostra representativa de 2.000 pessoas para compor o estudo Understanding Anti-Muslim Hostility: Foundations for Action, que examina atitudes sociais sem propor políticas específicas. O foco é descrever o panorama de percepções, não indicar caminhos de intervenção.
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