- A Convenção Batista do Sul aprovou, com 74,6% de apoio entre mais de oito mil delegados, avançar uma emenda que proíbe mulheres de exercer cargos pastorais e de pregação pastoral nas igrejas filiadas.
- A mudança passa a integrar a constituição da instituição apenas se obtiver maioria de dois terços em dois anos consecutivos; a próxima votação está prevista para a convenção de 2027.
- A proposta foi apresentada pelo teólogo Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, que afirmou a necessidade de clareza constitucional sobre o tema.
- A SBC já havia tentado, anteriormente, duas vezes implementar a proibição sem sucesso; entre as ações já concluídas, houve a exclusão de algumas congregações que mantinham mulheres em funções pastorais.
- Grupos que defendem o ministério feminino criticaram a medida, destacando impactos à autonomia das igrejas locais; o grupo Baptist Women in Ministry realizou campanha e publicou um outdoor em apoio às mulheres que ensinam e pregam.
A Convenção Batista do Sul dos EUA aprovou, nesta quarta-feira, a atualização de sua constituição interna para proibir mulheres de ocupar cargos pastorais ou funções de pregação em igrejas filiadas. A decisão ocorreu durante a assembleia anual em Orlando, Flórida, com apoio de cerca de 75% dos delegados presentes. A emenda precisa de aprovação em dois anos consecutivos para entrar em vigor.
A medida foi apresentada pelo teólogo Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, que afirma buscar clareza constitucional sobre o tema. A redação exclui igrejas que nomeiem,endorsam ou apoiem uma mulher em funções de pastora, presbítera ou supervisora, especialmente ao pregar à congregação.
Historicamente, a Declaração de Fé Batista já reserva o ofício pastoral aos homens. Defensores da emenda afirmam que a mudança traria uniformidade para manter a cooperação entre as igrejas. A votação ocorreu após anos de debate interno na denominação.
Entre as controvérsias, grupos que apoiam o ministério feminino criticaram a medida por restringir serviços das mulheres e ferir a autonomia das igrejas locais. A SBC já havia excluído congregações com mulheres em funções pastorais, como Saddleback Church.
A decisão tem impacto além dos EUA, dado o alcance global da SBC — cerca de 12 milhões de membros. A instituição exerce influência relevante sobre o evangelicalismo mundial. A votação reflete o embate entre tradições e mudanças culturais no cristianismo conservador.
Contexto e desdobramentos
A SBC já adotou mudanças semelhantes em anteriores tentativas e, se aprovada novamente em 2027, a emenda será incorporada à Constituição da SBC. Em 2024, proposta semelhante não atingiu a maioria qualificada necessária.
Repercussões internas
Lideranças contrárias afirmam que a prioridade deve ser enfrentar queda de membros e fortalecer políticas de prevenção a abusos. Já defensores ressaltam a necessidade de alinhamento doutrinário para manter a cooperação entre igrejas.
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