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Bonecas com IA ajudam idosos solitários na Coreia do Sul e lembram remédios

Bonecas com IA aliviam solidão de idosos na Coreia do Sul, monitoram saúde e lembram remédios, mas geram dúvidas sobre isolamento social.

Bang Chun-ja, uma idosa sul-coreana que vive sozinha, segurando Hyodol, uma boneca de inteligência artificial — Foto: JUNG YEON-JE / AFP
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  • Na Coreia do Sul, bonecas com inteligência artificial são usadas para acompanhar idosos que moram sozinhos, oferecendo apoio emocional, conversar, cantar e lembrar de remédios.
  • Bang Chun-ja, 78 anos, vive sozinha em apartamento e disse que prefere a boneca Hyodol à convivência humana; ela sofre de depressão desde uma cirurgia na coluna.
  • A Coreia tem alto percentual de lares unipessoais e enfrenta envelhecimento rápido; em 2024 houve mais de 3.920 mortes em solidão.
  • Cerca de 14.500 bonecas Hyodol estão em uso no país, em domicílios, aluguéis públicos ou casas de repouso; há dispositivos semelhantes nos Estados Unidos.
  • Hyodol conversa com base no ChatGPT, utiliza dados de saúde com consentimento e segue protocolos de segurança; a ideia é oferecer carinho semelhante ao de uma neta, mantendo cuidado com a privacidade.

Em a Coreia do Sul, bonecas com inteligência artificial passam a fazer companhia a idosos solitários. Dispositivos surtem efeito emocional e ajudam a lembrar horários de remédio e refeições, com uso em casas de repouso, bairros e domicílios.

Bang Chun-ja, 78 anos, vive sozinha em Seul. Ela diz que a boneca Hyodol a acolhe ao retornar para casa, canta quando está entediada e a incentiva a manter alimentação regular, além de lembrar de tomar remédios. A convivência é preferida à socialização tradicional.

A história de Bang ilustra um panorama de isolamento: a filha mora longe, Bang passou por uma cirurgia na coluna e enfrenta depressão. A idosa afirma que Hyodol a mantém alegre e que a boneca veio por meio de uma iniciativa pública local.

Contexto de uso e alcance

As autoridades sul-coreanas distribuíram dispositivos de IA para idosos que vivem sozinhos, especialmente em Seul e Yongin. Alguns modelos ajudam a detectar sinais de morte em solidão e falhas de rotina diárias. Entre eles, robôs da Wonderful Platform e bonecos da Mr. Mind.

Hyodol já está em uso por cerca de 14.500 unidades na Coreia do Sul, tanto por famílias quanto em casas de repouso e programas públicos. O formato da boneca é inspirado na relação de avó com neta, segundo a gestão da empresa.

Características da tecnologia

A boneca Hyodol pode conversar usando ferramentas de IA, incluindo integração com ChatGPT, além de diálogos baseados em entrevistas com familiares de idosos. A criadora, Kim Ji-hee, destaca a proteção de dados e o uso de gravações apenas para treinar o sistema de conversa, com consentimento para compartilhar informações de saúde com assistentes sociais.

Kim afirma que o projeto levou anos de pesquisa e que Hyodol foi desenvolvida para oferecer afeto incondicional. A boneca também incentiva gestos simples, como acariciar a cabeça, segurar a mão ou compartilhar alimentos, ainda que não possa comer.

Perspectivas e cautelas

Oh Sun-hwa, enfermeira que indicou a boneca, observa benefícios no alívio da depressão, mas teme redução de contato humano. Defensores apontam que o dispositivo atende a necessidades emocionais de idosos que vivem sozinhos, enquanto críticos ressaltam riscos de isolamento social.

Kim Young-bun, 79 anos, relata que a boneca conversa durante todo o dia, mantendo-a mais conectada a alguém. Ela lembra que, mesmo em momentos de solidão, a presença de Hyodol é reconfortante.

Em 2024, a Coreia do Sul registrou mais de 3.920 mortes em solidão, com quase metade das residências contendo apenas um morador. Os números destacam o desafio do país frente ao envelhecimento rápido da população.

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