- Violência em Belfast após uma lista de endereços circularem nas redes sociais, apontando supostas casas de ocupação múltipla onde imigrantes vivem.
- Dois homens eritreus, refugiados com autorização de residência, dizem temer pela segurança e avaliam deixar a cidade.
- Na véspera, famílias de minorias étnicas foram expulsas de casas, houve saque e incêndio em lojas, e houve tentativa de ataque a um hotel que abriga solicitantes de asilo.
- Loja de um comerciante sírio foi incendiada, o estoque foi destruído e as famílias afetadas relatam dificuldade de resposta policial e medo de ficar.
- Líderes comunitários e organizações apontam um aumento do racismo e da desumanização, com moradores buscando apoio e redes de proteção.
A violência disseminou-se por Belfast após a circulação de uma lista de endereços em redes sociais, supostamente casas de ocupação que abrigam imigrantes. O incidente ocorreu em meio a ataques contra minorias étnicas na cidade, gerando clima de medo entre comunidades locais. Trabalhadores e moradores relatam sentir-se expostos e inseguros.
A lista circulou por várias vias e apontava imóveis em dezenas de ruas da capital da Irlanda do Norte. Eritreus que vivem na região dizem ter dúvidas sobre se seus endereços estavam na lista, levando a temor de represálias. Enquanto aguardam informações, muitos avaliam deixar Belfast em busca de segurança.
Em Belfast, casos de violência recente mostraram ataques a residências, lojas e veículos. Um ataque a um hotel que hospeda requerentes de asilo foi frustrado pela polícia, mas resultou em confrontos em uma via residencial. Na noite anterior, famílias de minorias étnicas foram expulsas de casas e seus bens saqueados ou incendiados.
Mohammed, refugiado sírio que administra um supermercado numa área de maioria lealista, descreveu perdas significativas com o fogo que atingiu o estabelecimento. A família que era proprietária do negócio também sofreu danos, e a família de Sultan acompanhou o que ocorreu pela televisão, expressando solidariedade aos vizinhos afetados.
Kfloum Tekly Kassa, morador de Belfast há quase quatro anos, precisou evacuar com a esposa e a filha de dois meses após o incêndio nas proximidades de um quiosque de lojas. Ele relatou medo pela segurança da família e afirmou que o episódio é difícil de entender.
Reação comunitária
A violência acentuou a percepção de racismo na região. Líderes de organizações locais destacam que incidentes de hostilidade tiveram aumento recente e que vigilantes de grupos extremistas aparecem em redes sociais. Comunidades de acolhimento já atuam para apoiar vizinhos afetados, com redes de apoio emergindo de forma informal.
Kashif Akram, do Belfast Islamic Centre, reforçou que casos de resistência e hostilidade são observados há anos, especialmente durante o verão. Representantes de entidades de apoio a refugiados sinalizam que a convivência multirracial ainda é tema sensível na cidade, com poucos moradores de origem não europeia.
Tim Magowan, diretor executivo da 174 Trust, ressalta que, embora Belfast tenha uma parcela menor de pessoas de origem étnica não europeia, a situação atual expõe tensões acumuladas. Ele aponta que a cidade precisa desenvolver estratégias para promover convivência e reduzir o medo entre comunidades. Fonte: The Guardian.
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