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Tribunais de família revelam viés de gênero e culpabilização da vítima

Relatório aponta viés de gênero e vitimização nos tribunais de família na Inglaterra e País de Gales, com 72,5% dos acórdãos apresentando culpabilização

The report by the non-profit organisation Right to Equality will be shared with MPs on Tuesday.
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  • Análise de 91 sentenças da justiça de família na Inglaterra e no País de Gales encontrou 72,5% com vitimização atribuída pela vara, com as mães mais scrutinadas que os pais.
  • Ao todo, 66 pareceres continham linguagem de vitimização, totalizando 530 ocorrências, principalmente proferidas por juízes.
  • O relatório aponta viés de gênero e culpar a vítima como fatores que podem influenciar decisões judiciais, incluindo uso de mitos sobre agressões sexuais.
  • Recomendações incluem publicar 20% das sentenças, com seleção aleatória mensal, treinamento obrigatório sobre viés de gênero e vitimização e avaliação do uso de ferramentas de IA para identificar vieses.
  • Relatos de vítimas citam tratamento diferente entre mulheres e homens, com críticas a práticas de agências associadas, como o Cafcass, e à cultura de responsabilizar as sobreviventes.

O estudo, realizado pela organização sem fins lucrativos Right to Equality, aponta evidências amplas de viés e vitimização em decisões de família nos tribunais do Reino Unido. A análise abrange 91 sentenças publicadas de Inglaterra e País de Gales e identifica linguagem de vitimização em mais de 72% dos casos.

Segundo o relatório Scratching the Surface: Victim-Blaming and Bias in Family Court Judgments, o comportamento das mães costuma ser examinado de forma mais intensiva, enquanto o comportamento dos pais é contextualizado ou minimizado. O material será apresentado a deputados em um evento no parlamento.

Entre as conclusão, há apontamento de uso de estereótipos e de dúvidas explícitas sobre as mães, com risco de influenciar as decisões judiciais. Ao todo, 66 sentenças continham linguagem de vitimização, somando 530 ocorrências, majoritariamente por juízes.

Principais achados

O relatório sugere que atitudes negativas podem impactar o julgamento, incluindo referências a mitos sobre violência sexual e ceticismo em relação às mães. Casos como o de mulheres que relatam discriminação durante audiências foram citados como exemplos de padrões recorrentes.

Autoras destacam que as diferenças de tratamento não se restringem ao Poder Judiciário, estendendo-se às entidades ligadas ao sistema de justiça de família. A percepção de que as mães obtêm vantagens é apresentada como equívoco difundido, não refletindo a realidade dos casos.

Recomendações e próximos passos

Entre as medidas propostas estão a publicação de 20% das sentenças, com seleção aleatória mensal, e metas específicas para casos envolvendo violência doméstica ou sexual. O relatório também recomenda treinamento obrigatório sobre viés de gênero e vitimização para juízes.

Outra sugestão é explorar o uso de ferramentas de IA para identificar viés e vitimização no sistema. Assessoras de direito afirmam que experiências de vítimas revelam viés enraizado que influencia decisões que afetam a segurança de crianças.

Reações e próximos desdobramentos

A divulgação envolve apoio de parlamentares, como o deputado Kirith Entwistle, que apoia o relatório e a audiência de lançamento. Avalia-se que o viés pode comprometer a avaliação de risco, o dever de proteção e o foco no bem-estar infantil.

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