- Em Marrakesh, milhões de borregos são vendidos para o Eid al Adha, com preço médio de 3 mil dirhams por animal, podendo superar esse valor conforme raça, idade e região.
- O governo decretou medidas para conter o aumento de preços, incluindo compra obrigatória em mercados oficiais (exceto em zonas rurais) e proibição de revenda.
- A oposição islâmica, liderada pelo Partido de Justiça e Desenvolvimento, usa o tema da carestia para mobilizar apoiadores, em meio a eleições legislativas previstas para setembro.
- O ministro da Agricultura reconheceu que, na prática, os preços passam de dois mil dirhams por animal, mesmo com auxílios oficiais aos produtores.
- O contexto inclui a crise de cabaña ovina ligada à seca e à política agropecuária, com críticas à gestão governamental e ao histórico de subsídios a importadores.
Los corderos regresaram a Marruecos para a Festa do Sacrifício, após a suspensão do ritual no ano anterior devido à seca. Milhões de animais permanecem em mercados rurais e nas periferias das cidades, prontos para o sacrifício durante a celebração que ocorre na quarta-feira.
A escalada de preço do cordeiro acontece num contexto de crise social e de eleição. O Partido de Justiça e Desenvolvimento (PJD), oposição islamista, usa a pauta da carestia para mobilizar apoiadores contra o governo conservador de Aziz Ajanuch, que não se candidatará à reeleição.
Formação e impacto político
O ministro da Agricultura, Ahmed el Buari, afirmou que preços de 1.000 a 3.000 dirhams existem em bons mercados, com oferta de mais de 9 milhões de ovelhas frente a demanda de quase 7 milhões para o Eid. A fala ocorreu em sessão parlamentar dedicada à festividade.
A oposição acusou o governo de ignorar a realidade do mercado. O vice-presidente da Câmara, Driss Chattabi, citou termos ofensivos contra o PJD, gerando uma das maiores confusões da legislatura. A sessão foi suspensa por quase uma hora para acalmar os ânimos.
Medidas oficiais e realidade de preços
Na tarde do mesmo dia, o primeiro-ministro aprovou uma ordem para conter o aumento injustificado dos preços de ovelhas. O decreto, sem fixar um teto, determina compras em mercados oficiais e proíbe a revenda de animais.
Mesmo com as medidas, o preço médio do cordeiro vivo em Rabat e Salé supera 4.500 dirhams por animal, chegando a 7.000 dirhams em raças específicas conforme a proximidade da festa. Esses valores refletem a persistente inflação no setor.
Perspectivas econômicas e agenda
Especialistas criticam a dependência de importadores e as políticas de apoio agrícola. Entre as vozes, Abdalá Bouanou, parlamentar do PJD, sustenta que a crise tem raízes profundas na transição para a agricultura irrigada voltada à exportação, com impactos sobre áreas de pastagem.
O Eid al-Adha volta a exigir sacrifícios familiares em meio a um cenário de descontentamento com o custo de vida, incluindo alimentos básicos. O ambiente político permanece polarizado, com o PJD buscando retomar espaço nas próximas eleições, enquanto o governo mantém o foco em estabilidade econômica.
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