- Festival of Hope ocorre em Minsk, no Chizhovka Arena, de 15 a 17 de maio, com expectativa de cerca de 9 mil pessoas.
- Franklin Graham deve pregar nas duas últimas noites; será acompanhado por um coro de mais de 1.300 cantores e músicos de Bielorrússia, Rússia e Estados Unidos.
- Evento é organizado por uma coalizão de redes evangélicas locais, com coordenação pela primeira vez em escala nacional, segundo Leonid Mikhovich.
- Observadores destacam que, num regime autoritário, a visibilidade pública para evangélicos não implica liberalização das leis religiosas; evangélicos somam menos de 2% da população, enquanto a Igreja Ortodoxa representa cerca de 60%.
- Pode haver conexão diplomática com os EUA e a participação de John P. Coale, mas a confirmação oficial não foi divulgada; especialistas dizem que a aprovação não implica mudança significativa no marco legal.
A Arena Chizhovka, em Minsk, receberá entre 15 e 17 de maio o Festival of Hope, maior encontro de evangélicos já realizado na Bielorrússia. O evento, organizado pela Billy Graham Evangelistic Association (BGEA), espera cerca de 9 mil pessoas para três noites de programação, com Franklin Graham pregando nas duas últimas.
Além da pregação do filho de Billy Graham, o festival contará com um coral de mais de 1.300 cantores e músicos da Bielorrússia, Rússia e EUA. Coordenadores afirmam que a escala do evento marca um momento incomum para a comunidade evangélica no país.
Leonid Mikhovich, um dos organizadores e secretário-geral da União Batista, destaca que a dimensão é inédita desde a era soviética. Ele lembra que, nos anos 1990, grandes encontros eram raros e que algo neste porte não acontecia antes.
Contexto institucional e viés político
A organização é promovida por uma coalizão de redes evangélicas locais, com participação de órgãos como a União de Cristãos Evangélicos Batistas do país. A coordenação nacional é apresentada como inédita para as comunidades evangélicas, que atuam há décadas de forma paralela.
Para líderes locais, o Festival of Hope simboliza legitimidade institucional, já que ocorre em um espaço de grande importância. Ainda assim, analistas de liberdade religiosa ressaltam que o evento não implica uma liberalização maior, mas mostra apenas uma permissão pontual para grandes reuniões.
Especialistas lembram que a Bielorrússia mantém controle rígido sobre a vida religiosa, com a Igreja Ortodoxa em situação privilegiada. Grupos protestantes, incluindo batistas e pentecostais, enfrentam restrições de proselitismo e de atividades públicas.
A avaliação de observadores é de que o evento ocorre em meio a um ambiente de políticas de religião mais restritivas do que liberais, com o governo reforçando controles após protestos de 2020-2021 e processos de recadastramento de comunidades religiosas.
Participação local e impactos
Entre os fiéis que se preparam para viajar até Minsk está Anna Verenkova, de 29 anos, da região de Brest. Ela coordena ônibus de uma congregação batista para levar cerca de 40 pessoas, com participação de fiéis de cidades vizinhas.
Verenkova afirma que a oportunidade de reunir a comunidade é rara e que o encontro pode inspirar novos convertidos. Ela destaca que a experiência pode trazer encorajamento aos praticantes que enfrentam limitações na vida pública religiosa.
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