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Aliança entre Brasil Paralelo e ONG bolsonarista na Bahia envolve filantropia

Aliança entre Brasil Paralelo e ONG bolsonarista leva revisionismo histórico e evangelização a comunidades quilombolas da Bahia, com impacto educacional e social

A Brasil Paralelo é parte da máquina de mentiras da extrema-direita – Imagem: Redes sociais
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  • O instituto Novas Histórias, de Markenson Marques, iniciou em Cipó, Bahia, em 2019 com foco em esporte, lazer, reforço escolar e fé cristã para comunidades quilombolas, usando espaços como batismos e atividades religiosas.
  • Em dezembro de 2025, a ONG lançou o projeto Conexão Sertão, em parceria com a Brasil Paralelo, com promessa de distribuir ao menos dez mil acessos gratuitos aos conteúdos da produtora pelo Nordeste.
  • A Brasil Paralelo é vista como uma plataforma de direita que produz materiais revisionistas; há relatos de escolas que utilizam esses conteúdos em sala de aula por meio do Novas Histórias.
  • Pesquisadores e líderes quilombolas criticam o uso de conteúdos revisionistas e defendem a importância de diretrizes oficiais; o Ministério da Educação disse seguir a Base Nacional Comum Curricular e o Programa Nacional do Livro didático.
  • A reportagem observou práticas no instituto, como sessões de cinema com conteúdos da Brasil Paralelo, além de debates sobre a história do Brasil, gerando controvérsia entre educadores e comunidades locais.

O Novas Histórias, instituto neopentecostal criado em Cipó, no sertão baiano, ganhou notoriedade ao ligar filantropia a conteúdos de Brasil Paralelo. A agência de educação buscou levar ações culturais, esportivas e reforço escolar a cerca de 17 mil habitantes desde 2019, estendendo-se ao Nordeste com o projeto Conexão Sertão, lançado presencialmente em dezembro de 2025. A iniciativa envolve a exibição de documentários e cursos da Brasil Paralelo, além de atividades religiosas.

A Brasil Paralelo, produtora com forte presença de discurso conservador, passou a associar-se ao Novas Histórias para ampliar o alcance de suas propostas históricas. A parceria, já identificada em outras regiões do Nordeste, especialmente Natal, envolve conteúdos que discutem de forma revisionista a história do Brasil e insistem em um viés cristão conservador. A atuação é acompanhada por debates, apresentações culturais e sessões de cinema.

Situação na prática

O Novas Histórias é mantido pelo empresário curitibano Markenson Marques, com participação de uma ONG que atende cerca de 500 jovens em Cipó, incluindo comunidades quilombolas. A organização atua em áreas como Rua do Jorro, Caboja e Várzea Grande, territórios com títulos de 2005. A rede local reconhece os trabalhos sociais, mas há críticas sobre o impacto educacional e religioso.

Professores locais de Cipó relatam que acessam conteúdos da Brasil Paralelo e os incorporam às suas aulas. Um deles afirma ministrar aulas para diversas turmas do ensino fundamental e médio, usando debates da plataforma para estimular o pensamento crítico, segundo sua visão de direita. Outro educador reforça críticas a narrativas históricas consagradas e aponta para dificuldades de diálogo com o MEC sobre conteúdos didáticos.

Aula e impacto social

Estudantes ouvidos pela reportagem disseram que o material online influencia, com opiniões que divergem de materiais didáticos oficiais. Pesquisadores locais ressaltam que o ensino crítico deve estar alinhado à Base Nacional Comum Curricular, conforme diretrizes do MEC, que aponta para avaliação de materiais fora das normas oficiais. Não houve resposta oficial da Prefeitura de Cipó ou da Secretaria Estadual de Educação da Bahia.

Entre as ações do instituto, estudantes relatam que existem momentos de oração no contraturno, bem como o uso de um espaço batístico para rituais de fé. A estrutura inclui auditório, salas de aula e uma sala de cinema, onde o conteúdo da Brasil Paralelo é exibido regularmente para jovens de comunidades quilombolas.

Contexto e críticas

Além de denúncias sobre uso político de recursos, o empresário Marques defende que a atuação no sertão é parte de um “ministério” mobilizado pela fé, chegando a afirmar que 12% do faturamento da empresa de transportes financiaria o instituto. Em palestras, Marques também comenta a relação entre políticas públicas de assistência social e seus impactos na comunidade, sem abrir mão de críticas aos programas governamentais.

Pesquisadores da UFBA destacam que o cristianismo em áreas tradicionais de educação pode coexistir com traços de ancestralidade quilombola, mas alertam para o risco de apagamento cultural quando a evangelização é priorizada sobre a preservação de tradições locais. Líderes quilombolas entrevistados pela reportagem preferem manter o anonimato por receio de represálias.

Fonte pública de dados demográficos aponta aumento expressivo de evangélicos na Bahia entre 2010 e 2022 e o estado abriga a maior população quilombola do país. As informações ajudam a entender o cenário de inserção de programas religiosos em ambientes educacionais, ainda sem conclusão sobre efeitos de curto ou longo prazo.

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