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Gig de dados expõe precariedade de profissionais qualificados que treinam IA, com mudanças abruptas de contrato, supervisão invasiva e remuneração em queda

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  • Profissionais altamente qualificados, como advogados, cientistas e jornalistas, trabalham como treinadores de IA em empregos temporários e mal remunerados.
  • A Mercor recrutou trabalhadores para criar dados de treinamento e avaliar conversas de chatbots, com contratos baseados em projetos e monitoramento rigoroso de desempenho.
  • Horas extensas, pressões para entregar rapidamente e uso de software de vigilância reduziram a remuneração e aumentaram a incerteza de continuidade.
  • O arranjo é marcado por silêncio sobre clientes e objetivos, além de contratos que dificultam a organização de trabalhadores e a transparência sobre o que estão produzindo.
  • Questões legais e laborais começam a surgir, com ações contra plataformas alegando/classificando trabalhadores como contratados independentes, enquanto a busca por estabilidade e direitos trabalhistas se intensifica.
  • Trabalhadores com alta qualificação estão sendo chamados para treinar IA, executando tarefas de rotulagem, criação de rubricas e avaliações para modelos de linguagem. Use-se de plataformas como Mercor, Scale AI e Surge AI para produzir dados que alimentam as próprias IA.
  • A reportagem, resultado de parceria entre The Verge e New York Magazine, acompanha Katya, pseudônimo usado para proteger a identidade, e outros profissionais que atuam nessa cadeia de dados. Eles relatam contratos de projeto, monitoramento constante e remuneração volátil.

A operação e o que mudou

  • Katya recebeu inicialmente uma oferta por meio de um post no LinkedIn, prometendo copiarwriting a partir de US$ 45 por hora, em uma empresa chamada Crossing Hurdles. A empresa indicou Mercor como contato posterior, com entrevistas simuladas por IA.
  • Ao se informar, a recrutadora sugeriu criar dados para treinar IA; a ocupação envolvia explicar, rotular e avaliar respostas de chatbots sem revelar o cliente ou o objetivo final do projeto.

Como funciona a rotina de trabalho

  • O trabalho envolve equipes que criam prompts, definem rubricas de qualidade, produzem saídas ideais de IA e explicam etapas para sistemas de IA, com várias etapas de aprovação e revisão.
  • Em muitos casos, a função é descrita apenas como fornecimento de expertise para melhorar modelos de IA em laboratórios de pesquisa. A confidencialidade é rígida, com codinomes para projetos e proibição de discussões públicas.

A instabilidade dos contratos

  • Em poucos dias, o projeto de Katya foi interrompido sem aviso, gerando insegurança financeira. Em seguida, surgiu nova oferta para avaliar conversas entre chatbots, com onboarding marcado por Zoom em 45 minutos.
  • O ritmo é intenso: mensagens em canais de Slack pedem rapidez, enquanto horários e tarefas mudam de forma abrupta. Trabalhadores relatam que, ao não atenderem novas demandas, são substituídos por novos contratados.

O custo humano e o controle

  • Softwares de monitoramento rastreiam cada minuto de trabalho. Conteúdos podem ser avaliados com base em rubricas, e horas consideradas improdutivas podem ser descontadas.
  • Muitos relatórios apontam pressão constante para cumprir prazos, com faltas de clareza sobre o cliente, o propósito das tarefas e a duração real dos projetos. O ambiente é descrito como um platô de precariedade.

O cenário de mercado

  • Mercor, fundada em 2023, tornou-se um dos protagonistas do setor ao combinar entrevistas de IA com recrutamento internacional. A empresa já teve valor estimado em US$ 10 bilhões e atua com clientes de peso, incluindo grandes laboratórios de IA.
  • Dados de mercado indicam que há centenas de milhares de profissionais em plataformas de treinamento de IA, com remunerações e condições variando conforme o projeto e o cliente. A demanda por especialistas em áreas diversas aumenta a competição por contratos.

Questões legais e pressões setoriais

  • Trabalhadores enfrentam classificação como autônomos, sem direitos trabalhistas tradicionais, o que acarreta riscos de falta de férias, seguro-desemprego e proteção a horários. Três ações coletivas foram movidas contra Mercor na Califórnia, além de casos envolvendo outras plataformas.
  • Economistas e especialistas apontam para a necessidade de regulação que proteja a força de trabalho envolvida na produção de dados para IA, inclusive com propostas de organizações semelhantes a sindicatos para esse tipo de atividade.

Cenário individual

  • Katya chegou a tentar equilibrar despesas com aluguel e renda, aceitando contratos de curto prazo com pagamentos variados. Em meio à incerteza, ela avaliou a possibilidade de retornar a empregos menos tecnológicos, como o atendimento em cafeteria, antes de receber nova notificação de tarefa.
  • Outro caso citado envolve profissionais que executam atividades de alto grau de especialização, como advogados, químicos e designers, todos expostos a mudanças rápidas de demanda e a ameaças de offboarding sem aviso prévio.

Tendências e perspectivas

  • A dinâmica atual mostra uma indústria em transição: tarefas cognitivas, antes dominadas por profissionais, passam a ser executadas por meio de modelos de IA treinados com dados humanos. A continuidade da remuneração depende da capacidade de manter projetos ativos, com alto nível de confidencialidade.
  • Analistas destacam que, além da tecnologia, o eixo de poder está nas plataformas que gerenciam o fluxo de trabalho, definindo prazos, remuneração e condições de continuidade. A mobilização e a organização de trabalhadores surgem como instrumento relevante para possíveis mudanças regulatórias.

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