- A Metropolitano Police foi acusada de insultar pessoas negras e zombar da dor causada, ao anunciar que vai absorver a estratégia anti-racismo em um programa mais amplo de anti-discriminação.
- O plano inclui questões de gênero e orientação sexual, com a justificativa de aumentar as chances de sucesso no atendimento a grupos historicamente prejudicados.
- A pesquisadora Shereen Daniels critica a mudança, dizendo que dilui o compromisso com o anti-racismo e representa retrocesso.
- O comissário Mark Rowley afirmou que não se trata de abandonar o foco racial, destacando ações específicas para comunidades negras, LGBT e gênero, com abordagem sistêmica e interseccional.
- Enquanto o Met pretende consultar sobre a alteração, Daniels afirmou que o grupo não pretende colaborar e que as mudanças parecem adiamentos para confrontar discriminação racial previamente identificada.
O Metropolitano de Londres enfrenta críticas após anunciar que pretende absorver a sua estratégia anti-racismo em um programa mais amplo de anti-discriminação. A autoridade afirmou que a mudança aumenta as chances de atender melhor grupos que já foram negligenciados. O anúncio foi feito em meio a debates sobre o tratamento de pessoas negras pela polícia.
A acadêmica Shereen Daniels disse que o novo esquema reduz a prioridade ao combate ao racismo e pode representar retrocesso. Daniels é autora de um relatório de 2024 que apontou danos estruturais aos negros dentro da força. Ela participou de discussões na London Policing Board, onde apresentou suas reservas.
O comissário da polícia de Londres, Sir Mark Rowley, defendeu a mudança, afirmando que o plano é sistemático e leva em consideração interseções entre raça, gênero e orientação sexual. Ele destacou a necessidade de ações específicas e cruzadas, sem abrir mão de metas direcionadas.
Rowley afirmou que políticas de diversidade, equidade e inclusão passam por desafios nacionais e internacionais e estão sujeitas a debates públicos acalorados. Em referência aos EUA e ao Reino Unido, ele mencionou críticas recorrentes a essas políticas, sem detalhar consequências para a operação diária.
Daniels disse que a substituição de foco por inclusão não resolve questões estruturais. Ela afirmou que a reorganização pode servir para a liderança evitar mudanças profundas no desenho organizacional e minimizar as vozes que denunciam discriminação.
A metropolitana afirmou que o plano prevê ações específicas para comunidades negras, LGBT e mulheres, mantendo o foco em impactos discriminatórios históricos. Um documento interno reconhece, porém, o risco de perda de ênfase na luta contra o racismo anti-negro.
O texto aponta que estender a ação antidiscriminatória a outros grupos não elimina a prioridade de combater o racismo institucional que persiste na instituição, segundo avaliadores externos. O objetivo declarado é reforçar a confiança em áreas com histórico de abusos.
Daniels citou o histórico de investigações e casos que mostram resistência interna a mudanças. Ela relatou que não mantém mais contato direto com o comissário desde a divulgação do relatório e não continua colaborando com a polícia.
O Met afirmou que o diálogo com especialistas continua e que a consulta pública sobre a mudança será realizada. A instituição também ressaltou que houve ganhos de confiança entre comunidades negras desde o início da gestão de Rowley.
Mudança de foco ou retrabalho institucional
- O anúncio gerou debate sobre a eficácia de integração de políticas de raça em um plano mais amplo.
- A polícia de Londres sustenta que ações transversais podem ampliar a proteção a grupos historicamente vulneráveis.
- Críticos afirmam que a iniciativa pode diluir compromissos anteriores com a luta antirracista.
Entre na conversa da comunidade