- Parecer da Polícia Federal à Procuradoria-Geral defende instaurar inquérito contra sócia da ONG Instituto Conhecer Brasil, responsável pela produção de “Dark Horse”.
- A acusação baseia-se em reportagem do Intercept Brasil, que revela desvio de recursos do Sesi, conforme dados da Controladoria-Geral da União (CGU).
- Entre 2017 e 2018, o CN-Sesi teria repassado cerca de R$ 11 milhões ao instituto para a “Feira da Cidadania” em sete estados, além de verba para o projeto “Fórmula Truck Kids” no Distrito Federal.
- A CGU aponta superfaturamento de pelo menos R$ 2,4 milhões, com notas falsas e entregas fictícias para empresas ligadas a um núcleo operacional, incluindo despesas não comprovadas em estados como Rio Grande do Norte e Tocantins.
- Documentos indicam que o ICB não possuía estrutura compatível com os contratos, operando como CNPJ sem empregados e com transferências totais a uma rede de empresas sediadas no Distrito Federal.
A PF encaminhou parecer à PGR defendendo a abertura de inquérito contra a sócia de uma ONG envolvida na produção do documentário Dark Horse. A ação foi apresentada na noite de quarta-feira 10, na sede da Superintendência da Polícia Federal. O documento teve base em reportagem do Intercept Brasil publicada em 8 de junho.
Segundo a matéria, o Instituto Conhecer Brasil, ligado a Karina, teria desviado recursos do Sesi em oito estados, conforme dados da Controladoria-Geral da União CGU. Auditores apontam que o ICB atuaria como entidade de fachada para captar recursos do Sistema S.
Entre 2017 e 2018, o CN-Sesi repassou cerca de 11 milhões de reais ao instituto para a realização da Feira da Cidadania em Goiás, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão e Bahia. Além disso, houve repasse para o projeto Fórmula Truck Kids, realizado apenas no Distrito Federal.
Notas fiscais fraudulentas e entregas fictícias teriam feito o desvio de parte significativa do dinheiro para uma rede de empresas sediadas no DF. Ao menos 2,4 milhões de reais teriam sido superfaturados em operações envolvendo o instituto.
No Distrito Federal, por exemplo, a CGU aponta superfaturamento de 270 mil reais, mesmo com apenas 80 mil reais efetivamente utilizados no evento. No RN, as auditorias indicam divergências entre registros e consumos, com dados de sanitários e refletores incompatíveis com as notas.
Outras irregularidades apontadas envolvem a ausência de estrutura operacional compatível com contratos, com o ICB sem empregados registrados, sem capital social expressivo e sem veículos próprios, utilizado para contratar com CN-Sesi e transferir recursos a redes de empresas no DF.
A notícia foi assinada por parlamentares do PT, representantes na Câmara: Pedro Uczai (SC) e Erika Kokay (DF), além do vereador Nabil Bonduki (SP).
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