- O surto de Ebola na República Democrática do Congo eleva o risco para gorilas, especialmente na espécie gorila-das-planícies ocidentais, já que o vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais e pela caça de animais infectados.
- Históricos demitem que outbreaks anteriores dizimaram até 90% a 95% da população de gorilas-do-ocidente, com cerca de 5 mil mortes na área de Lossi entre 2002 e 2003.
- Até o momento deste texto, não há relatos de infecção de gorilas no atual surto na DRC, mas autoridades mantêm vigilância intensiva e medidas de proteção em parques.
- A sociabilidade dos gorilas facilita a transmissão do Ebola dentro de grupos; gorilas fêmeas costumam ser mais afetadas e isso complica a recuperação populacional.
- A resposta de conservação e de autoridades locais enfrenta desafios, como instabilidade política, redução de financiamento externo e necessidade de proteger trabalhadores de campo e áreas protegidas.
O trabalho de vigilância contra o Ebola na República Democrática do Congo ganha importância diante de novos casos humanos no país. O Ebola é zoonose, transmitida por contato com sangue ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, e pela ingestão de carne de animais contaminados. Relatórios ainda destacam a incerteza sobre o hospedeiro natural do vírus.
Entre os riscos está o impacto na vida selvagem, principalmente nas gorilas-do-vale, já que a espécie é altamente suscetível a infecções. A subespécie ocidental de gorila, criticamente ameaçada, já enfrentou quedas drásticas na população em surtos prévios, chegando a perder milhares de indivíduos. O cenário atual não registra casos de gorilas até o momento.
Os gorilas, animais sociáveis, vivem em grupos que variam de oito a dez indivíduos. Pesquisadores destacam como a proximidade física facilita a transmissão interna a grupos, especialmente durante atividades como higiene, descanso e grooming. Estudos apontam que fêmeas são atingidas de forma mais acentuada que machos.
Gorilas no oeste da bacia do Congo e em áreas vizinhas já sofreram perdas severas em surtos de Ebola durante o início dos anos 2000, com mortalidade alta. Em 2002-2004, estima-se que cerca de 5 mil gorilas tenham morrido nesse período. A atual situação em DRC ainda não mostrou infecção entre gorilas, segundo especialistas.
Resposta e vigilância
Autoridades e ONG trabalham para reduzir o risco de transmissão entre humanos e gorilas, ampliar monitoramento e oferecer equipamentos de proteção. Roteiros de contido de turismo e fronteiras de áreas protegidas foram fortalecidos para impedir entrada de pessoas infectadas.
Apoio internacional tem sido alvo de ajuste orçamentário, com impactos na capacidade de resposta e conservação. Especialistas destacam que a redução de financiamento pode afetar monitoramento de habitat, equipes de campo e ações de proteção das espécies.
Especialistas ressaltam que, mesmo com densidade populacional baixa, a disseminação entre gorilas depende de fatores locais. Vigilância contínua é essencial, pois, como mostrado em estudos, um único caso pode comprometer todo o grupo.
O acompanhamento da situação permanece ativo, com equipes prontas para investigar suspeitas de infecção em primatas e apoiar autoridades de parques nacionais, caso necessário.
Entre na conversa da comunidade