- Quatro dias de chuva intensa e deslizamentos em Sumatra, Indonésia, contribuíram para a quase extinção dos orangotangos de Tapanuli, espécie mais ameaçada.
- Estudo aponta que 58 dos menos de 800 orangotangos de Tapanuli teriam morrido devido ao temporal de novembro, o que representa cerca de 7% da população.
- A Turbulência climática liderada pelo ciclone Senyar também reduziu a disponibilidade de alimento e danificou o habitat, segundo os pesquisadores.
- Oito semanas após o ciclone, ainda há lacunas para quantificar os impactos na fauna local, com registros de animais encontrados mortos ao lado de dejetos de madeira e lama.
- Autoridades nacionais interromperam, temporariamente, grandes projetos na área de Batang Toru, para permitir avaliação ecológica, enquanto especialistas alertam que a combinação de instabilidade climática e perda de habitat pode levar à extinção da espécie.
Four dias de chuvas intensas e deslizamentos na ilha de Sumatra, na Indonésia, aumentaram o risco de extinção dos orangotangos-tapanuli. Estudo divulgado nesta quarta-feira estima que 58 indivíduos, de menos de 800 na espécie, morreram no evento de novembro. As cifras são conservadoras e não contemplam danos no dossel nem queda de alimento.
O trabalho, publicado na Current Biology, aponta que eventos extremos de precipitação representam ameaça direta à sobrevivência dos grandes símios. A equipe de pesquisadores menciona ainda que a gravidade do impacto pode ser subestimada pela dificuldade de quantificar perdas no habitat.
Progresso e contexto
Dados de campo indicaram redução de avistamentos de orangotangos após o ciclone Senyar, considerado o pior desastre natural de 2025 na região. Um relatório contraintuitivo sugere que parte da população pode ter sido levada pelas inundações e deslizamentos.
O professor Erik Meijaard, da Borneo Futures, autor do estudo, afirmou que estimativas anteriores ficariam abaixo da realidade. Em entrevista à BBC, ele relatou que imagens de animais mortos foram recebidas de equipes humanitárias, com sinais de violência severa.
A pesquisa também ressalta a relação entre mudanças climáticas e vulnerabilidade da espécie. Embora Senyar tenha sido um evento fora do comum, os autores ressaltam que a frequência de chuvas extremas tende a aumentar, comprometendo o habitat.
Medidas e possibilidades
As autoridades indonésias suspenderam temporariamente grandes empreendimentos na área de Batang Toru, incluindo mineração, óleo de palma e projetos de usinas hidrelétricas. A medida facilita novas avaliações sobre riscos ecológicos para os orangotangos.
Os autores destacam a necessidade de apoio internacional contínuo para proteger os remanescentes. Entre as ações sugeridas estão proteção doméstica fortalecida, planejamento climaticamente sensível e assistência financeira e técnica global.
A equipe do estudo enfatiza que a crise do orangotango-tapanuli revela a urgência de respostas coordenadas que enfrentem instabilidades climáticas, perda de biodiversidade e vulnerabilidade de espécies.
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