- Pesquisadores trabalham para habituar bonobos selvagens no Parque Nacional Salonga, na República Democrática do Congo, para monitorar saúde, comportamento e populações.
- O processo começou no fim de 2023, com um grupo de cerca de sessenta bonobos; hoje eles toleram presença humana por termos de duas a três horas.
- O projeto pretende gerar oportunidades de pesquisa, conservação e turismo sustentável, com um campamento em Inkomu que poderá permitir observação de bonobos habituados por visitantes.
- O risco de doenças zoonóticas, como o Ebola, preocupa autoridades do parque, que mantêm protocolos de biossegurança, distâncias mínimas, triagens de saúde e uso de máscaras.
- A habitução permite coletar dados sobre comportamento, diversidade, dieta e ecologia; estimativas de 2024 apontam entre 12 mil e 18 mil bonobos na região.
Salonga National Park, na República Democrática do Congo, abriga um dos maiores remanescentes de floresta tropical da África. Pesquisadores trabalham para habituar bonobos selvagens, com o objetivo de entender comportamento, ecologia e saúde das populações.
A iniciativa envolve uma equipe de pesquisadores e rastreadores que segue grupos de bonobos desde o acampamento Inkomu. O objetivo é que os animais aceitem a presença humana como parte do ambiente, criando condições para estudo contínuo.
O projeto começou no fim de 2023, com um grupo de cerca de 60 bonobos. Inicialmente, os indivíduos fugiam ao avistar pessoas; hoje aceitam a presença por períodos de até várias horas, o que permite observar alimentação, repouso e interação.
A iniciativa faz parte de um esforço regional para coletar dados padronizados sobre populações de bonobos, incluindo comportamento, diversidade, cultura e dieta. Técnicas variarão entre observação, coleta de amostras e uso de câmeras e sensores.
Risco sanitário e biossegurança
A recente reemergência de Ebola na região leste aumenta a preocupação com doenças zoonóticas. As autoridades do parque reforçaram protocolos de saúde, com triagens periódicas, higiene rigorosa, uso de máscaras e distância mínima de 7 a 10 metros dos animais. Treinamentos com especialistas estão nos planos.
A equipe afirma que, com protocolos estritos, os benefícios conservacionistas, científicos e de ecoturismo superam os riscos. A vigilância sanitária busca minimizar transmissão bidirecional entre humanos e primatas.
Perspectiva turística
O projeto também visa transformar a percepção local sobre o parque, buscando benefícios econômicos para comunidades vizinhas. Em Inkomu, espera-se que visitantes possam observar bonobos habituados, quando a operação estiver amadurecida. A expectativa é que o turismo gere incentivos à conservação e à proteção de habitats.
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