- Investigadores identificaram mais de vinte lojas e comprovaram quinze estabelecimentos em Luang Prabang e Vientiane que vendem ilegalmente produtos de vida selvagem, com foco em turistas chineses idosos, incluindo o Kin Liao Coffee.
- As lojas operam de forma em larga escala, com rotas de envio online e campanhas de venda pincelando a ideia de legalidade, usando táticas de persuasão para fechar negócios a preços elevados.
- Evidências em Douyin (TikTok chinês) mostram redes lucrativas, com operadores chineses e lojistas na fronteira Laos-China e grupos de tour operadores que conduzem os turistas aos estabelecimentos.
- O modelo envolve pacotes turísticos de baixo custo, em linhas de trem China-Laos, com grupos recebidos em lojas que costumam faturar com marcos como marfim, chifre de rinoceronte, bile de urso e preparados medicinais, em especial Angong Niuhuang Wan.
- Autoridades locais destacam que a venda de marfim, chifre de rinoceronte e outras espécies listadas pela CITES é ilegal, e que a operação enfrenta desafios de fiscalização, embora haja esforços para cumprir normas e reforçar monitoramento.
Luang Prabang e Vientiane, Laos — uma investigação conjunta entre Mongabay e GI-TOC identificou mais de 20 lojas e validou 15 estabelecimentos que vendem em larga escala produtos ilegais de vida selvagem. Os locais, voltados a turistas chineses idosos, atuam em redes que empregam pacotes turísticos de baixo custo vinculados à China-Laos railway.
As lojas operam principalmente para grupos de turistas chineses, com entradas exclusivas para pacotes pré-arranjados. O recrutamento ocorre por meio de 11 operadores turísticos identificados pela GI-TOC, que encaminham clientes a visitas nesses estabelecimentos. Ao chegar, os visitantes são conduzidos de loja em loja, sob tática de venda coerciva.
Ao longo de 2024 e 2025, abordagens de entrada e rotação de lojas mostraram um modelo em expansão, com redes que cobram margens altas sobre produtos como marfim, chifre de rinoceronte, bile de urso e remédios tradicionais. A investigação aponta que as tours rendem uma fatia de 20% a 40% dos lucros às empresas organizadoras.
Kin Liao Coffee, em Luang Prabang, destaca-se pela presença de dezenas de balcões dedicados a itens ilegais, incluindo produtos de vida selvagem e materiais de medicina tradicional que contêm ingredientes proibidos. Em outros pontos, como o Laos Traditional Medicine Hall, amplia-se a variedade de itens, muitos apresentados com alegações de legitimidade e conservação.
As evidências online, carregadas no Douyin, revelam redes de envio e operações financeiras ligadas a esses comercios. Em 2025, a Mongabay e a GI-TOC identificaram relatos que reforçam a dimensão do comércio, com compras de alto valor por parte de turistas. O levantamento também indica que parte das mercadorias pode ter origem na África e em outras regiões, passando por rotas de transbordo.
Autoridades locais reconhecem o desafio de coibir o comércio ilegal, especialmente dentro de uma rede que utiliza o trem China-Lao para facilitar o fluxo de turistas e mercadorias. O Departamento de Florestas laociano informou que a venda de marfim, chifre de rinoceronte e outras espécies é expressamente proibida pela lei e pela CITES, com operações de fiscalização em curso.
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que o cenário na Laos via pacotes turísticos é incomum e preocupante, com evidências de mercado ativo para itens extremamente valorizados. A expansão recente é atribuída, em parte, ao aumento do fluxo de turistas chineses e à complexidade das cadeias de suprimento ilícitas.
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