- Horas após o anúncio de um cessar-fogo entre os EUA e o Irã, moradores do sul do Líbano começaram a retornar às suas vilas com cautela.
- A entrada de Harees ficou bloqueada por veículos carregados de explosivos; um veículo militar israelense ficou a menos de cem metros à frente.
- O exército libanês e a defesa civil alertaram as pessoas para não voltarem ainda, porque a guerra já fez quase 3.800 vítimas no país.
- A trégua é a terceira em menos de dois meses e busca pôr fim ao conflito, com silêncio de Hezbollah e ataques israelenses reduzidos, mas permanece a dúvida sobre sua duração.
- Quem voltou encontrou destruição em partes do território, com casas soterradas e aldeias ocupadas; muitos ainda temem novas explosões ou ataques.
O cessar de hostilidades entre Israel e Hezbollah, anunciado com apoio indireto de acordos entre EUA e Irã, levou residentes do sul do Líbano a retornar, com cautela, a suas vilas. Horas após o anúncio, ruas ficaram novamente movimentadas enquanto viaturas militares e explosivos foram encontrados na região de Harees, gerando desconfiança entre quem planejava retornar.
Abdullah al-Ali, funcionário municipal de Harees, relatou que a entrada da cidade ficou bloqueada após a descoberta de veículos carregados de explosivos próximos ao perímetro. Um veículo de blindado israelense foi observado parado a pouco menos de 100 metros, provocando a evasão de motoristas que buscavam retornar.
A população recebeu orientações das forças armadas do Líbano e do defesa civil para não retornar neste momento, sob a justificativa de que a guerra ainda não terminou. Nova rodada de explosões e tiros atingiu áreas ao sul de Nabatieh, onde tropas israelenses permanecem.
Ambiente atual e dúvidas
Este foi o terceiro cessar-fogo em menos de dois meses, em um conflito que já deixou milhares de mortos e desocupados. A população, porém, não recebeu os avanços com confiança, temendo revés na trégua acordada entre potências regionais e externas.
Ghia Hajo, 25, deslocada de Abbasieh, expressou sentimentos mistos: alegria pela possibilidade de retornar, mas medo de nova evacuação. Ela acompanhou relatos em redes e vídeos de amigos sobre o retorno às vilas, ainda sem garantia de segurança.
Hajo afirmou que só pretende voltar se houver garantias de que a situação é estável, evitando novas evacuações com as roupas já prontas na bagagem. A prioridade, disse, é ter certeza de que não precisará partir novamente.
Perspectivas e declarações oficiais
Autoridades libanesas saudaram o cessar-fogo, que surgiu após tratar com observadores norte-americanos e iranianos. Ainda não está claro como a trégua se aplicará de forma prática em todo o território.
No terreno, a redução de ataques foi observável: Hezbollah interrompeu ataques; Israel cessou a maioria dos bombardeios, com exceção de ataques a áreas próximas a vilarejos e dois ataques com drones contra civis que se aproximavam dos arredores das tropas.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, reiterou que tropas não deixarão a chamada zona de segurança no sul do Líbano. A área, declarada pela defesa como compreendendo cerca de 600 quilômetros quadrados, é alvo de tensões contínuas entre as partes.
Israel afirmou ainda reservar o direito de responder a qualquer ataque de Hezbollah, enquanto outras autoridades sinalizaram liberdade de movimento no Líbano. O histórico de ataques aéreos na região permanece uma preocupação para a reconstrução e a paz.
Caminhos abertos e entraves
A origem do conflito remonta a março, quando Hezbollah lançou foguetes em retaliação ao que ocorreu na região. A invasão de Israel visava desmantelar a organização, mas o impasse persiste, com responsabilidades e objetivos não resolvidos.
Ao longo do dia, dezenas de carros cruzaram as rodovias do sul libanês, com moradores buscando verificar seus imóveis, ainda que enfrentando incertezas sobre a continuidade da trégua. Em algumas localidades, houve relatos de casas destruídas, levando à volta de sentimentos de perda.
Ahmad Abu Taan, comerciante de Taybeh, descreveu a devastação causada pela ofensiva israelense: casas e estabelecimentos foram massacrados, e muitos moradores vivem deslocados. Ele afirmou a intenção de retornar, caso haja acordo de trégua estável.
A situação permanece tensa e incerta, com questões de reconstrução ainda sem definição clara. O país aguarda que o cessar-fogo se consolide, permitindo a livre circulação e a retomada de atividades econômicas, sem novas interrupções.
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