- Yulia Lemeshchenko, campeã ucraniana de halterofilismo em 2021, foi julgada em Moscou por supostamente planejar sabotagens e assassinatos em favor dos serviços de segurança da Ucrânia.
- A acusação afirma que ela explodiu linhas de energia perto de São Petersburgo e, depois, foi a Voronezh para observar um chefe da força aérea russa com o objetivo de matá-lo.
- A sentença no processo foi de dezenove anos de prisão; a defesa não negou as acusações, mas disse que sua consciência estava tranquila.
- A FSB informou que Lemeshchenko teria se voluntariado para trabalhar para os serviços ucranianos por meio de um chatbot no Telegram e que foi levada a Kyiv para treinamentos de armas, drones e explosivos.
- O caso ocorre em contexto de relatos de maus-tratos a prisioneiros ucranianos na Rússia; a veracidade das provas é contestedada, mas as declarações da acusada sugerem que poderia haver algum fundamento.
Yulia Lemeshchenko, atleta de levantamento de peso ucraniana, foi condenada na Rússia a 19 anos de prisão por suposta participação em sabotagens e assassinatos em território russo. O caso envolve alegações de atuação para serviços de segurança ucranianos e ocorreu em meio ao conflito entre os dois países.
O processo ocorreu em um tribunal de Moscou após a atleta ter reaparecido meses depois de ter desaparecido de Kharkiv, no leste da Ucrânia, onde treinava. As acusações dizem que Lemeshchenko participou de explosões em linhas de energia perto de São Petersburgo e monitorava um oficial da Força Aérea russa em Voronezh para um eventual ataque.
Segundo a acusação, Lemeshchenko teria sido recrutada via um chatbot de Telegram pelos serviços de segurança ucranianos no outono de 2023 e enviada a Kyiv para treinamento em armas, drones e explosivos. A FSB divulgou vídeos atribuídos à materialização dessas confissões e a suposta presença de líquidos explosivos e celulares no apartamento da atleta.
A defesa e familiares afirmam que Lemeshchenko, natural de Voronezh, sempre treinou com dedicação e tinha desejo de representar a Ucrânia internacionalmente. Testemunhas próximas destacam a transformação causada pelo impacto da invasão e pela destruição em Kharkiv, onde morava.
A FSB sustenta que, em agosto de 2024, Lemeshchenko foi enviada a Voronezh para executar atos contra infraestrutura energética, transporte e membros da defesa russa. A agência também citou imagens e gravações para embasar as alegações.
O caso ocorre em meio a acusações de represálias contra prisioneiros de guerra ucranianos detidos na Rússia, o que levanta cautela sobre provas obtidas sob coercção. Ainda assim, amigos e ex-treinadores da atleta expressaram surpresa com o desfecho e mantêm dúvidas sobre a veracidade dos fatos.
Oleksandr Chernyshov, chefe da federação de levantamentos de Kharkiv, lembrou a trajetória de Lemeshchenko, destacando seu talento e a motivação patriótica. Dmytro Pavlenko, treinador, comentou que a notícia surpreende e que as decisões da atleta foram motivadas por acontecimentos na cidade natal.
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