- Banco Pleno nasceu do Banco Indusval, voltado para crédito corporativo e do agronegócio, e passou por várias reorganizações societárias devido a dificuldades operacionais.
- Em fevereiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, que havia sido vendida ao Banco Master no segundo semestre do ano anterior.
- A venda ao Master ocorreu após negociações iniciadas em 2023 e 2024, com a associação da área de atacado, corretora e gestoras ao conglomerado; a família Rezende Barbosa entrou em disputa judicial com o grupo e seus controladores.
- O Banco Pleno enfrentava problemas de liquidez, dependia de captação via depósitos a prazo (CDBs) e registrou ativos e passivos significativos, com passivos de cerca de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em CDBs, segundo o Banco Central.
- A liquidação foi adotada após agravamento da situação econômico-financeira, com dificuldade de cumprir obrigações diárias e descumprimento de normas regulatórias.
O Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (18), investigando um esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master. Entre os investigados estão o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano.
O Banco Pleno nasceu do Banco Indusval & Partners, criado em 1967 para crédito corporativo e financiamento do agronegócio. Diante de dificuldades operacionais, a instituição passou por várias reestruturações societárias e, em 2019, mudou de nome para Banco Voiter sob controle de Roberto de Rezende Barbosa, buscando reduzir custos e apostar em soluções digitais.
Em 2023 houve tentativa de venda ao Capital Consig, com aporte de R$ 100 milhões, sem avançar. Em 2024, houve negociações com Daniel Vorcaro para transferência de controle e incorporação de áreas ao Master. Em 2025, o Banco Central autorizou a transferência de controle a Augusto Lima, que passou a ocupar o comando do Banco Pleno.
História recente do grupo e disputas judiciais
Após a venda ao Master, a família Rezende Barbosa moveu ações judiciais contra o conglomerado, envolvendo debênture de R$ 400 milhões. Alegações indicavam inadimplência da primeira parcela de R$ 100 milhões, com aditivo que previa pagamento de até R$ 200 milhões não quitado. O Master afirmou exigência de antecipação do contrato pelos credores; houve acordo judicial homologado em novembro, pouco antes da intervenção do BC.
O BC justificou a liquidação do Banco Pleno pelo agravamento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias. Dados do BC apontam que, em setembro, o Banco Pleno possuía passivos em torno de R$ 6,8 bilhões, com maior concentração em CDBs (cerca de R$ 5,2 bilhões) e letras financeiras (aproximadamente R$ 760 milhões).
Situação de liquidez e participação no sistema financeiro
A liquidez deficiente ocorreu em meio a forte dependência de captações por depósitos a prazo, principalmente CDBs. Títulos passaram a ter juros elevados no mercado secundário, sinalizando desinteresse de investidores diante do risco. O Pleno possuía participação pequena no sistema financeiro, correspondendo a cerca de 0,04% dos ativos do setor e 0,05% das captações, reunindo números ainda próximos de trilhões de reais.
A liquidação extrajudicial foi adotada pelo Banco Central após queda acentuada da capacidade de cumprir obrigações diárias e descumprimento de normas. O BC ressaltou que a intervenção ocorreu por deterioração da liquidez e inobservância de determinações regulatórias, sem concluir sobre outros potenciais responsáveis.
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