- Jovens colecionadores, especialmente Millennials e Gen Z, estão atraídos por antiquários asiáticos, aumentando o interesse por cerâmicas, bronzes e artefatos.
- O londrino Zhaobo Yang, de 29 anos, abriu sua coleção chinesa com um incensário de bronze da dinastia Qing (séculos XVII a XIX), adquirido por £1.000 e usado no dia a dia.
- Em 2025, as vendas de arte tradicional asiática cresceram 32,4% em relação a 2024, totalizando 515 milhões de dólares; Hong Kong respondeu por mais de 80% das vendas globais, mesmo com queda geral de leilões.
- Christie’s, Sotheby’s e Phillips registraram resultados positivos em vendas de arte chinesa, com aumentos em eventos como Asia Art Week e Hong Kong Asian Art Week; várias peças venderam acima do estimado.
- A tendência é apoiada por compradores mais jovens, com a média de idade em torno de 40 anos; especialistas ressaltam a importância de proveniência e qualidade, e veem potencial de crescimento mesmo com avanços da IA.
O mercado de antiguidades asiáticas vive um auge entre compradores mais jovens. Um novo item antigo pode parecer incomum em uma coleção de obras contemporâneas, mas ilustra bem o momento: um incensário de bronze da dinastia Qing, de bolso, adquirido em abril por um colecionador londrino.
O caso de Zhaobo Yang mostra o que está em jogo. Aos 29 anos, ele mira no equilíbrio entre uso cotidiano e investimento cultural. O incensário, valendo 1.000 libras, é sua primeira aquisição em antiguidades chinesas após cinco anos estudando o tema.
Segundo o relatório China Art Market 2025, de ArtTactic, as vendas totais caíram 2,2% em comparação com 2024, mas as obras tradicionais de arte cresceram 32,4% no ano, puxadas por artes chinesas. Hong Kong manteve liderança com mais de 80% das vendas globais.
Os dados indicam mudança de comportamento entre casas de leilão. Christie’s registrou mais de 34 milhões de dólares em leilões de arte chinesa durante a Asia Art Week em Nova York, com alta anual acima de 50%. Em Hong Kong, as vendas de primavera somaram 872,2 milhões de HK$.
A Sotheby’s ampliou a presença de arte asiática em Nova York e Hong Kong, com séries de venda que mostraram resultados acima das estimativas prévias. Há notável crescimento de peças que ultrapassaram altos valores históricos, reforçando o interesse contínuo.
A China Guardian, importante casa de leilões de Hong Kong, atingiu 330 milhões de HK$ em vendas sazonais, marco recorde para a empresa desde sua instalação na cidade. Em 2025, registrou 578 milhões de HK$, o maior crescimento anual já observado.
A força do mercado decorre de fatores como resiliência de categorias tradicionais, valor histórico e benefícios de longo prazo, segundo Marco Almeida, da Christie’s. Mais de 80% dos licitantes vêm da Ásia-Pacífico, com incremento também na Sudeste Asiático.
Os compradores jovens representam parcela relevante. Desde 2022, Millennials e Gen‑Z respondem por mais de um terço dos licitantes globais de arte asiática, com gasto duplicando desde 2021, segundo Christie’s e Sotheby’s. Em 2025, 40% dos novos compradores em cerâmicas chinesas vieram dessas faixas etárias.
Atração por peças tangíveis cresce com o uso e o valor educativo. Profissionais apontam que, apesar de o setor ter fundamentos sólidos, autenticação, procedência e estado de conservação exigem cuidado especial, sem regras rápidas de avaliação.
Para Yang, a estratégia inclui manter a prática artística contemporânea enquanto amplia o acervo de antiguidades. Com atenção à autenticidade e à proveniência, ele planeja adquirir estátuetas de Buda em tamanho de palma, entre outras peças.
O que resta claro é que o interesse por antiguidades asiáticas ganha fôlego entre jovens colecionadores, sem sinal de arrefecimento. A combinação de patrimônio cultural, potencial de investimento e experiência sensorial tende a sustentar o movimento nos próximos anos.
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