- Lee Ufan, artista sul-coreano, participa de exposição na Venice Biennale, com mostra no SMAC San Marco Art Centre pela Dia Art Foundation, em comemoração ao seu 90º aniversário; há exibição simultânea na Dia Beacon, nos Estados Unidos, e abertura em julho de uma mostra em Portugal.
- Seu trabalho mescla tradições orientais e ocidentais, explorando relações entre tempo, espaço, presença e ausência, com uso de materiais naturais e industriais.
- Em entrevista, o artista fala sobre a influência do movimento Mono-ha, de Barnett Newman e da prática de pintar respirando, que ele descreve como cerimônia ligada ao tempo e à mão que traça as linhas.
- A mostra em Veneza traz obras feitas in situ, no chão e na parede, destacando a relação entre espaço externo e superfície da obra, diferente do formato em tela tradicional.
- A obra “Sky Road” – com duas pedras grandes sobre placas de aço polidas – mostra preferência por pedras locais e interesse em explorar o poder expressivo de materiais simples em contextos específicos.
Lee Ufan, artista sul-coreano, apresenta uma mostra individual no SMAC San Marco Art Centre, como Evento Colateral oficial da Bienal de Veneza. A exposição celebra o 90º aniversário do artista e reúne obras de várias fases, incluindo peças criadas in situ na cidade.
A mostra traça a evolução da pintura de Lee, desde trabalhos de 1967 até obras novas. Paralelamente, duas esculturas foram produzidas especialmente para a Bienal de Veneza. Em paralelo, há uma exposição no Dia Beacon, nos EUA, com pinturas de décadas anteriores e esculturas do período Mono-ha.
Lee Ufan responde a perguntas sobre sua trajetória, a influência de Europa e EUA na sua prática, e a relação entre pintura e escultura. O artista discute a ideia de diálogo com o exterior e a crítica à noção de arte como ato único do artista.
O pintor e escultor descreve como busca unir o que é criado e o que é desfeito, incorporando materiais naturais e industriais. Em Veneza, ele utiliza áreas distintas do espaço para pintura no chão e na parede, explorando a relação entre obra e ambiente.
A entrevista aborda ainda o papel do corpo no ato de pintar, incluindo métodos de respiração que acompanham o traço, e a transição de paletas monocromáticas para tons mais variados. O artista explica o uso de cores como forma de ampliar a comunicação com o público.
Para o público de Veneza, as obras presentes em ambas as mostras aparecem como expressões visuais em diálogo com o corpo do artista. Em Dia Beacon, o foco está em permitir que o público observe o processo criativo ao longo de anos, enquanto em Veneza a experiência amplia o entendimento sobre referências históricas e o lugar da arte hoje.
Entre os temas, Lee comenta a importância da experiência in situ e a relação entre o que é visto e o que permanece invisível. Ele destaca que o espaço externo influencia a percepção da obra, especialmente nas peças instaladas sem o uso de tela em canvas.
O artista relembra a fase do Mono-ha, movimento japonês que questionava fronteiras entre arte e mundo, e comenta a transição para uma prática que valoriza o processo e a abertura a interpretações diversas. A entrevista também aborda a ideia de que a arte pode provocar questionamentos sem oferecer respostas únicas.
No conjunto das obras expostas, a convivência entre pinturas e esculturas é apresentada como uma experiência corporal e espacial. O artista reforça que o objetivo é provocar reflexão sobre o tempo, o espaço e a presença, sem mensagens prescritivas.
A “Sky Road”, escultura incluída na mostra de Veneza, usa pedras locais apoiadas sobre placas de aço polidas. Lee explica que a escolha dos materiais busca enfatizar o peso simbólico da pedra, além de explorar a relação entre o objeto e o ambiente que o cerca.
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