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A história de como artistas retratam o corpo feminino

Livro de Amy Dempsey analisa o paradoxo entre exposição e invisibilidade do corpo feminino na arte, em passeio histórico que dialoga séculos XX e XXI

Snakes (2021) by Hayv Kahraman, one of the artists featured in The Female Body in Art
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  • O livro de Amy Dempsey, The Female Body in Art, discute a tensão entre exposição excessiva e invisibilidade da presença feminina na arte.
  • A obra parte de um panorama histórico, começando pela Renascença e passando por séculos seguintes, até chegar aos séculos XX e XXI, com foco nas fases em que a imagem da mulher é celebrada ou estereotipada.
  • Dempsey escolhe artistas e obras que celebram aspectos positivos, incluindo Barbara Kruger, Guerrilla Girls e Yves Klein, entre outros, para destacar vozes que pedem mudança.
  • Entre as escolhas destacadas estão Tracey Emin, Frida Kahlo e Kehinde Wiley, com diálogos entre obras que exploram gênero, sexualidade e colonialidade.
  • O livro fecha com a obra de Julie Rrap, SOMOS (Standing On My Own Shoulders), 2024, e reforça a ideia central: toda artista merece ser vista.

Amy Dempsey lança The Female Body in Art, livro que revisita a relação entre exposição excessiva e invisibilidade do corpo feminino na arte. A obra analisa obras e contextos desde a Renascença até os dias atuais, destacando tensões históricas e debates contemporâneos.

A autora observa uma contradição marcante: em Londres, entre 1500 monumentos públicos, haveria mais esculturas de animais que de mulheres com nome propio, ainda que a presença feminina seja contínua em edifícios públicos. O tema guia o livro, ainda que busque celebrar imagens positivas.

Entre as escolhas, Dempsey parte de Botticelli, Rafael e Baldung para abrir o panorama, e mergulha nos séculos XX e XXI, buscando obras que mobilizem leitura crítica sem recair em simplificações. A curadoria privilegia imagens que encantam e provocam reflexão.

Perspectivas contemporâneas e diálogos visuais

Barbara Kruger e as Guerrilla Girls aparecem como voz contundente sobre representações femininas na história da arte. A autora cita questionamentos históricos de 1989 sobre a nudez de mulheres em grandes museus, contextualizando o debate atual.

A seleção também traz obras de Yves Klein em uma leitura que envolve a participação de mulheres como colaboradoras, ampliando o olhar sobre autoria, corpo e agência na prática artística. Entre dedicatórias e reinterpretaciones, o livro propõe diálogo entre épocas.

Entre as escolhas modernas, Tracey Emin apresenta uma obra monumental de 2022 dedicada à mãe, enquanto Frida Kahlo aparece com Self-Portrait With Cropped Hair (1940), que mostra a artista com estilo contundente diante das transformações pessoais.

Epílogo e objetivo

Dempsey afirma que o foco é apontar imagens positivas e instigantes, buscando contrabalançar coberturas negativas do tema. O objetivo é transformar o modo como o público enxerga o corpo feminino na arte, promovendo visibilidade sem estereótipos.

A obra funciona como um passeio expositivo, conectando debates de gênero, colonialidade e representação. Entre as referências, Kehinde Wiley dialoga com Rubens em The Three Graces (2023 vs. 1630-35), ampliando a conversa sobre tempo e espaço.

O projeto encerra com Julie Rrap e a obra SOMOS (Standing On My Own Shoulders) de 2024, uma peça em bronze que retrata a própria artista em tamanho real, elevando a reflexão sobre visibilidade de mulheres artistas ao longo da história.

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