- O museu Lawh Wa Qalam, em Doha, é baseado em um esboço de M. F. Husain feito em 2008, com o arquiteto Martand Khosla convertendo o desenho em um prédio funcional.
- A leitura literal do desenho aponta para uma casa azul e uma torre branca, mas as discussões iniciais questionaram referências de cores, azulejos da Ásia Central e elementos como uma caravela ao fundo para entender o significado e a linguagem arquitetônica.
- A paleta e a materialidade foram traduzidas para azulejos azuis, inspiradas por exemplos da arquitetura tradicional indiana, como fachadas de pedra quebrada e telhas que ajudam a refletir o calor e contar histórias da identidade regional.
- O local escolhido manteve um elemento existente: o Seeroo fi al Ardh, um edifício cilíndrico de vidro que abriga a última obra de Husain, funcionando como entrada ou encerramento da experiência museal.
- O design final propõe uma massa informal, reminiscentes de uma rua de cidades do Sul Global, permitindo que o visitante percorra o espaço como se estivesse caminhando por uma cidade, em vez de seguir uma trilha ordenada.
O museu Lawh Wa Qalam, em Doha, foi criado a partir de um esboço do artista M.F. Husain. O edifício, dedicado à sua obra, está instalado no Qatar Foundation e tem Martand Khosla como responsável pela tradução do desenho em arquitetura funcional. A construção reflete a visão do artista e o processo de adaptação pelo arquiteto.
Khosla explicou como a leitura literal do esboço ganhou camadas de significado. O traço aponta para uma casa azul e uma torre branca, mas o arquiteto buscou referências culturais, como azulejos da Ásia Central, navios mercantes e a ideia de uma cidade com urbanismo gradual. O objetivo foi fundir símbolos com linguagem arquitetônica institucional.
Sobre paleta e materiais, o profissional destacou o uso de azulejos azuis na superfície, inspirados em obras anteriores de Husain, como a casa em Nova Delhi com fachada de pedra quebrada. Também mencionou a influência do projeto Husain Doshi ni-Gufa, em Ahmedabad, com telhas quebradas para lidar com o calor e preservar a memória regional.
O local foi escolhido de forma estratégica. Antes da obra, já existia um edifício cilíndrico de vidro denominado Seeroo fi al Ardh, que abriga a última obra de Husain. O espaço funciona como ponto de entrada ou saída da experiência museal, de modo quase performático e circular.
A concepção do Lawh Wa Qalam privilegia uma experiência de passeio. A massa do prédio remete a uma rua de cidades do Sul Global, registrando a sensação de um bairro vivo. A ideia é que o visitante percorra o espaço como quem anda por vias de uma cidade imaginária, sem trilha marcada.
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