- A China é o principal importador global de alimentos e também o maior produtor; em dois mil e vinte e quatro foram importados cerca de US$ 127,12 bilhões em alimentos, e em dois mil e vinte e cinco o comércio bilateral com o Brasil atingiu US$ 170,8 bilhões, com saldo favorável ao Brasil.
- O 15º Plano Quinquenal (2026–2030) enfatiza segurança alimentar, inovação no comércio, modernização agrícola, novo sistema energético e expansão do comércio verde, reconhecendo um ambiente internacional instável e com protecionismo crescente.
- A China busca ampliar autossuficiência em grãos estratégicos e ampliar a produção de carne suína e bovina, o que pode impactar as exportações brasileiras de soja. A meta é aumentar a produção em cerca de cinquenta milhões de toneladas métricas.
- O plano indica uso maior de fertilizantes para elevar a produção, o que pode afetar o Brasil, já que o país depende de importações; a China também restringiu exportações de fertilizantes neste ano para proteger o mercado interno.
- Há oportunidades em rastreabilidade, certificações e comércio verde, além de créditos de carbono via práticas agrícolas sustentáveis; o Brasil precisa diversificar mercados e atuar de forma estratégica em fóruns internacionais para padrões de biocombustíveis e SAF.
A Forbes Mulher Agro analisa como o 15º Plano Quinquenal da China, aprovado em março pelo Congresso Nacional do Povo, deve moldar o agronegócio brasileiro entre 2026 e 2030. O foco é entender impactos, oportunidades e estratégias para o Brasil exportador de soja e carne bovina, diante de mudanças na política chinesa.
A China mantém-se como principal destino de diversas culturas brasileiras, sobretudo soja e carne bovina. A relação bilateral atingiu US$ 170,8 bilhões em 2025, com saldo positivo para o Brasil. Ainda assim, o país asiático continua dependente de importações para alimentar uma população de mais de 1,4 bilhão de pessoas.
O que mudou no plano
O 15º Plano Quinquenal revisa o desempenho agrícola recente e traça diretrizes para 2026-2030. Entre os pontos estão segurança alimentar, inovação no comércio, modernização da agricultura e avanço do que o documento chama de comércio verde.
Perspectivas internacionais
O texto aponta um ambiente global com transformações rápidas, desequilíbrios de poder e maior protecionismo. Alerta para instabilidades geopolíticas, unilateralismo e disputas entre potências, o que gera impactos na frágil economia mundial.
Autossuficiência e fertilizantes
O plano destaca a meta de ampliar a produção de arroz, trigo e milho, além de fortalecer carne suína e expandir carne bovina. A autossuficiência chinesa pode influenciar o fluxo de insumos, especialmente fertilizantes, para o Brasil.
Impacto sobre o Brasil
A continuidade de altos gastos com fertilizantes chineses pode exigir que o Brasil diversifique mercados. A dependência de insumos importados acende a necessidade de ampliar parcerias fora da China para reduzir vulnerabilidades comerciais.
Rastreamento e comércio verde
O documento enfatiza rastreabilidade e certificações como regras para o comércio. O Brasil precisa alinhar-se a padrões de sustentabilidade para manter a competitividade, explorando vantagens em produção ecológica.
Descarbonização e biocombustíveis
A China sinaliza neutralizar emissões industriais, abrindo espaço para créditos de carbono oriundos de práticas agrícolas sustentáveis no Brasil. O agronegócio pode ganhar novas fontes de receita com esse movimento.
Energia e padrões tecnológicos
A transição energética global influencia o agronegócio, com padrões tecnológicos que afetam acesso a mercados. O Brasil busca continuar oferecendo etanol e biocombustíveis para uso em aviação (SAF) e transporte marítimo, alinhando-se a métricas globais.
Multilateralismo e atuação brasileira
O texto reforça regras de comércio internacional e a importância do multilateralismo. O Brasil pode se beneficiar de um ambiente regulatório estável, mantendo diálogo com a China para facilitar acordos que respeitem seus parâmetros.
O que esperar
O 15º Plano Quinquenal traz oportunidades para o Brasil, desde que haja preparo para adaptar-se às novas demandas. Investir em qualidade, inovação e diversificação de mercados continua sendo estratégico para o relacionamento com a China.
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