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El Niño forte em 2026 aumenta riscos para safras tropicais globais

El Niño forte em 2026 pode elevar temperaturas e secas, pressionando safras tropicais globais como cacau, café e açúcar, com impactos na oferta mundial

Um trabalhador enche uma saca com grãos de cacau enquanto se prepara para recolher os estoques não vendidos de cacau
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  • A possibilidade de um El Niño forte aumentar no segundo semestre de 2026 e há 63% de chance de um El Niño muito forte ou “super El Niño” em 2027, segundo a NOAA.
  • O fenômeno eleva temperaturas e altera o regime de chuvas, criando riscos para safras tropicais e para as chamadas soft commodities.
  • Cacau: historicamente, El Niño forte reduz a produção na África Ocidental; em 2024, preços chegaram a níveis recordes acima de US$ 12.000 a tonelada.
  • Café: o robusta pode sofrer com calor e menos chuva no Vietnã e na Indonésia, impactando a oferta; o arábica brasileiro pode ter efeito mais contido inicialmente, mas pode piorar no próximo ciclo.
  • Açúcar: chuvas excessivas no segundo semestre costumam afetar a qualidade da safra brasileira; na Índia, a monção pode ter menor volume, o que pode reduzir a produção local.

O que se espera neste segundo semestre é a intensificação de El Niño, um aquecimento no Pacífico que pode alterar chuvas e temperaturas ao redor do mundo. A NOAA aponta 63% de chance de um El Niño forte ou “super El Niño” até 2027, elevando riscos para safras tropicais. A notícia preocupa produtores de cacau, café e açúcar, além de afetar volatilidade de preços globalmente.

A influência do fenômeno já se reflete na trajetória das commodities agrícolas. Em anos anteriores, episódios de El Niño associaram-se a altas de preços e a dificuldades de oferta, com impactos em fertilizantes, diesel e custos logísticos, agravando pressões para agricultores durante 2024 e 2025.

El Niño em perspectiva

O El Niño decorre do aquecimento de temperaturas superficiais no Pacífico oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno costuma ocorrer entre dois e sete anos, com duração típica de 9 a 12 meses, e tende a gerar padrões climáticos distintos em cada região.

Cacau

Todos os El Niños fortes, nos últimos 55 anos, reduziram a produção de cacau, destaca WisdomTree. No último ciclo, de meados de 2023 a meados de 2024, a África Ocidental teve chuvas excessivas que favoreceram doenças fúngicas, depois enfrentou calor intenso com ventos secos Harmattan, prejudicando florescer. Cerca de metade do cacau mundial é produzido na Costa do Marfim e em Gana.

Café

O robusta é o mais sensível ao El Niño, especialmente no Vietnã e na Indonésia, grandes produtores que respondem por cerca de metade da produção global da variedade. Temperaturas altas e déficit de chuvas no segundo semestre devem afetar desenvolvimento e colheita, já a partir do quarto trimestre. Para o arábica, o impacto é mais contido, com efeitos discrepantes entre países.

Açúcar

O açúcar costuma enfrentar chuvas intensas no segundo semestre sob El Niño, prejudicando a qualidade da safra brasileira, maior exportador mundial. A Índia, segundo maior produtor, pode ter redução de chuvas durante a monção de verão, influenciando a oferta local. Em contrapartida, o Brasil pode ter chuvas acima da média que favoreçam a safra de 2027.

Perspectivas de mercado

Especialistas avaliam que, mesmo com efeitos variados por região, El Niño tende a pressionar preços de commodities tropicais e elevar custos de produção. Analistas indicam que as mudanças climáticas ampliam a incerteza sobre safras em África, Ásia e Américas, com impactos potenciais na oferta global.

Observações finais

A situação requer monitoramento de órgãos meteorológicos e de mercado, bem como de governos e produtores. Enquanto algumas regiões podem enfrentar secas, outras podem registrar chuvas intensas, criando um cenário de volatilidade para itens como cacau, café e açúcar.

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