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Brasil registra 3,6 mil homicídios de mulheres em 2024; negligência, abuso sexual

Atlas da Violência aponta queda de homicídios de mulheres em 2024, mas aumento de causas indeterminadas e violência doméstica não letal preocupam especialistas

Brasil registra menor número de homicídios da série histórica
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  • Em 2024, o Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres, equivalentes a 3,4 mortes por 100 mil mulheres, com queda de 6,7% ante 2023 e uma redução de 27,7% na taxa em dez anos.
  • Mulheres negras foram as maiores vítimas: 2.457 mortes, ou 67,5% do total, com queda da taxa de 5,6 para 4 mortes por 100 mil mulheres entre 2014 e 2024.
  • Norte e Nordeste apresentam as maiores taxas de feminicídio; São Paulo teve a menor taxa, de 1,5 por 100 mil mulheres, ao longo de 2024.
  • Em 2024, 293.842 mulheres sofreram violência não letal, sendo 64% em contexto doméstico; negligência subiu 13,8% e violência sexual 10,8%.
  • 35,2% dos homicídios de mulheres ocorreram dentro de casa; há preocupação com aumento de mortes com causa indeterminada, o que pode ocultar assassinatos não identificados.

O Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024, o que representa 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres. O dado faz parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira. O total aponta queda de 6,7% ante 2023, quando foram 3.903 casos.

Ao longo da década, a série histórica aponta uma redução de 27,7% na taxa de mortes violentas de mulheres, com a tendência de queda mantendo-se desde 2014. No entanto, o volume absoluto permanece elevado, somando 46.336 vítimas desde 2014.

Região e perfil das vítimas

As maiores taxas de assassinato de mulheres ocorreram no Norte e Nordeste, com Roraima, Rondônia, Ceará, Bahia e Pernambuco apresentando os maiores índices por 100 mil habitantes. Em contrapartida, São Paulo registrou a menor taxa em 2024, 1,5 por 100 mil mulheres.

Entre os estados, destaque também para quedas expressivas em Sergipe e Amapá, além de rankings com manejos diferentes conforme o território. Ainda assim, a média nacional reforça a concentração regional da violência letal contra mulheres.

Formação das ocorrências e causas

35,2% dos homicídios femininos ocorreram dentro de residências. A estabilidade desse indicador, em comparação com 2023, indica que a violência doméstica não acompanhou a queda observada em outros contextos.

As mulheres negras seguem como a maioria das vítimas: 2.457 mortes, equivalente a 67,5% do total. Entre 2014 e 2024 houve queda da taxa para esse grupo, mas o padrão de violência permanece concentrado em lares e contextos domésticos.

Violência não letal e outras formas de violência

Em 2024, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal, sendo 64% em domicílio. Os registros de negligência cresceram 13,8%, atingindo principalmente crianças de 0 a 9 anos e pessoas acima de 70.

Notou-se aumento de 10,8% nos casos de violência sexual. Entre meninas de 10 a 14 anos, 45,5% das ocorrências envolveram abuso sexual. Nos grupos de 15 a 69 anos, a violência física foi a forma mais comum, associada a relações íntimas.

Perspectivas e classificação

Foi observado aumento de 27,2% nos registros com violência doméstica não identificada, sem detalhamento sobre o tipo de agressão. Especialistas destacam a necessidade de aprimorar a classificação para reduzir lacunas nos dados.

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