- Mulheres atuantes em tecnologia e serviços financeiros estão em maior risco de perder o emprego para IA e automação do que homens, aponta um relatório da City of London Corporation.
- Mulheres com pelo menos cinco anos de experiência, chamadas de “meio de carreira”, estão sendo preteridas para vagas digitais por processos de contratação rígidos, que às vezes empregam triagem automatizada de currículos.
- A triagem não considera lacunas na carreira relacionadas a cuidados com crianças ou parentes, e restringe a avaliação ao que houve na experiência profissional.
- O estudo aponta que cerca de 119 mil funções administrativas nesses setores devem ser deslocadas pela automação na próxima década, com até £757 milhões em pagamentos de rescisão que poderiam ser evitados com requalificação.
- A reportagem destaca que até 60 mil mulheres na área de tecnologia deixam seus cargos anualmente por falta de progressão, reconhecimento e remuneração adequada, contribuindo para um gargalo de talento digital que pode afetar o crescimento econômico do Reino Unido até, pelo menos, 2035.
A City of London Corporation alerta que mulheres atuantes em tecnologia e serviços financeiros estão em maior risco de demissão com o avanço da IA e da automação, em comparação aos homens. O estudo aponta ainda que mulheres experientes têm sido marginalizadas por processos de contratação rígidos.
Segundo o relatório, mulheres em estágio médio de carreira — com pelo menos cinco anos de experiência — são preteridas para vagas digitais nesses setores, onde já há sub-representação feminina. A corporativa afirma que triagens automatizadas não consideram lacunas por cuidado familiar.
A instituição destaca que a rigidez dos filtros de CV pode excluir candidatas qualificadas, sem levar em conta trajetórias profissionais. A recomendação é investir em requalificação de trabalhadoras de cargos administrativos que correm risco de serem substituídas pela automação.
Impactos e recomendações
Para reverter o cenário, a prefeitura de Londres incentiva que empresas foquem na requalificação de mulheres fora de funções técnicas, especialmente em funções administrativas. A estimativa é de 119 mil vagas clericais sujeitas à automação nos próximos dez anos.
O estudo aponta que a reassociação de talentos pode evitar até £757 milhões em custos de desligamento. A ideia é valorizar o potencial dos candidatos, não apenas a experiência técnica anterior.
Dados e projeções
Estima-se que até 60 mil mulheres atuando em tecnologia deixam o setor anualmente por falta de progressão, reconhecimento ou salários. Também há cerca de 12 mil vagas digitais não preenchidas em 2024, devido à escassez de profissionais qualificados.
As projeções indicam que a lacuna de talentos digitais pode persistir até 2035, com a possibilidade de o Reino Unido perder mais de £10 bilhões em crescimento econômico se não houver atuação eficaz.
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