- O Observatório Internacional de Estudos sobre Terrorismo (OIET) registra 190 incidentes de ultradireita em 2025, em 15 países, crescimento de 33,8% em relação a 2024.
- Os EUA são o epicentro global, com 99 incidentes, correspondente a mais da metade do total registrado.
- Reino Unido soma 24 incidentes; Alemanha e Austrália, 16 cada; Espanha atinge 7, subindo para quinto lugar entre os países mais afetados.
- Na Europa, Espanha e França tiveram sete incidentes cada; na Espanha houve a detenção de três suspeitos ligados à célula de The Base em Castellón; Suécia destaca-se pelo recrutamento de crianças por grupos extremistas.
- A tipologia mostra 54 ameaças de violência e 66 de incitação, com 19 ataques concluídos; há 33 julgamentos, 22 prisões e 29 medidas legais, indicando forte foco em terrorismo psicológico apesar da menor proporção de violência consumada.
Durante 2025, um observatório espanhol de estudos sobre terrorismo registra aumento de violência de ultradireita em 15 países, totalizando 190 incidentes. O número representa +33,8% em relação a 2024, com maior parte dos casos configurando ameaça ou incitação à violência.
Estados Unidos é apontado como epicentro global do fenômeno, com 99 incidentes, equivalentes a mais da metade do total. O relatório aponta o país como líder em atividade extremista e como gerador de modelos para células em outros continentes.
O estudo destaca que a complexidade da extrema direita no país envolve a centralização de narrativas como o chamado “reemplazo branco”, que associa mudanças demográficas a riscos de violência. Grupos como Patriot Front e Blood Tribe são citados como exemplos de inspiração para células estrangeiras.
Casos por país
Reino Unido aparece em segundo lugar, com 24 episódios, alta de mais de 166% ante 2024. O OIET associa o crescimento a consequências do Brexit, tensões raciais históricas e a atuação de grupos neonazis organizados, como Patriotic Alternative.
Alemanha e Austrália vêm em seguida, com 16 episódios cada. Na Alemanha, o foco inclui casos envolvendo radicalização juvenil, como o grupo Last Defence Wave, composto por adolescentes visando ataques contra refugiados.
Na Austrália, o aumento está ligado ao impacto da memória do ataque de Christchurch e a discussões sobre extremismo na região, embora o país tenha contado com menos incidentes do que EUA, UK ou Alemanha.
Casos na Europa e nações
Na Espanha, os incidentes passaram de quatro em 2024 para sete em 2025, elevando o país ao quinto lugar entre os mais atingidos na Europa. O relatório cita a detenção de três suspeitos ligados à célula de The Base em Castellón como exemplo de organização transnacional.
Na Suécia, quatro incidentes destacam um fator preocupante: recrutamento de crianças entre 10 e 12 anos por meio de plataformas digitais, incluindo conteúdos que funcionam como porta de entrada para narrativas racistas.
Tendências e perfil do extremismo
O relatório diferencia o extremismo europeu do norte-americano: na Europa, há maior permeabilidade com partidos de direita no poder, o que facilita a normalização de narrativas xenófobas e a radicalização. Nos EUA, o extremismo funciona mais à margem do sistema político.
Do ponto de vista de tipo de incidentes, 54 casos correspondem a ameaças de violência e 66 a incitação à violência. Em contrapartida, apenas 19 envolveram violência efetiva, o que o documento classifica como uso estratégico de terrorismo psicológico.
Em relação a resultados legais, o OIET aponta 33 julgamentos, 22 detenções e 29 medidas legais ou administrativas, totalizando 44,4% do conjunto. O estudo ressalta que ações preventivas ajudam, mas a radicalização persiste.
Observações finais do relatório
O documento destaca que, apesar da concentração de violência consumada em uma parcela menor, esses atos são gravíssimos. A organização alerta sobre a necessidade de combinar atuação policial, judicial e políticas públicas para enfrentar o extremismo de forma abrangente.
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