- A Mitie abriu investigação interna sobre alegações de racismo, antisemitismo, islamofobia e discurso de ódio entre funcionários que atuam em centros de remoção de imigração e na deportação de migrantes.
- Um dossiê enviado à direção, visto pelo Guardian, lista exemplos de comentários ofensivos no trabalho e de curtidas em posts de redes sociais.
- Entre os relatos, haveria comentários islamofóbicos, a afirmação de que imigrantes “devem ser expulsos” e apoio a um grupo ligado a um ativista de extrema-direita.
- Postagens curtidas por funcionários teriam conteúdo como apelidos depreciativos a mulheres, a imagem de um homem judeu ortodoxo com a frase “shalom cunts” e menção de linguagem sobre uso de maconha associada ao Qur’ān.
- A Mitie afirmou que não comenta casos específicos, que as investigações são serias e abrangentes; o Home Office disse que as questões cabem à Mitie.
O contrato do governo com a Mitie está sob escrutínio após denúncias de racismo, islamofobia, antisemitismo e discurso de ódio entre funcionários que atuam em centros de remoção de imigrantes. As queixas foram encaminhadas aos executivos da empresa por membros da própria Mitie e descrevem comportamentos ofensivos no ambiente de trabalho e em redes sociais. A Mitie informou que abriu uma investigação sobre o material apresentado.
Os relatos apontam que alguns trabalhadores, atuando em centros de detenção e na deportação de migrantes, teriam feito comentários discriminatórios e compartilhado ou curtido conteúdos de ódio em plataformas digitais. O material recebido pela empresa detalha exemplos de linguagem pejorativa associada a imigrantes e a comunidades religiosas, além de menções a grupos ligados a ideologias de extrema direita.
A Home Office disse que as alegações são de responsabilidade da Mitie e que cabem à empresa apurar os fatos. Em meio às denúncias, a Mitie afirmou que não comenta casos específicos de investigações em andamento, mas reiterou que não admite racismo ou discriminação e que conduzirá apurações completas.
Entre as denúncias, há relatos de comentários islamofóbicos ocorridos no ambiente de trabalho. Um relato descreve a ideia de expulsar imigrantes do país, enquanto outro cita generalizações negativas sobre muçulmanos. Também houve menções a supostos apoiadores de figuras associadas a posições extremistas em redes sociais.
Posts e curtidas em redes sociais atribuídos a colaboradores teriam expressões de desrespeito a mulheres, imagens inadequadas e uso inadequado de referências religiosas em contexto crítico. Um funcionário teria interagido com uma postagem de apoiadores de uma figura de extrema direita que defendia mudanças na composição religiosa de uma cidade, segundo o material encaminhado à Mitie.
Relatos apontam ainda a situação de deslocamento de migrantes em ônibus de transporte para deportação, com uma testemunha descrevendo desconforto com o odor de curry no ambiente. Em outro ponto, uma ação de um superior de setor teria sido associada a uma curtida equivocada em uma postagem de conteúdo extremista, segundo o dossiê.
Segundo a Mitie, houve avaliação de casos anteriores envolvendo a empresa, incluindo incidentes de 2022 envolvendo posts racistas de funcionários em aplicativos de mensagens, já investigados pela direção. Em 2021, um tribunal trabalhista demonstrou preocupação com o uso de termos racistas por contratados do Home Office, mas rejeitou uma ação por discriminação.
O processo de apuração ocorre em meio a antecedentes de tensões com denúncias de discriminação ligadas a contratos do governo. Em casos anteriores, a resposta institucional incluiu investigações técnicas para rastrear comunicações e melhorar a supervisão de transmissões em centros de processamento de asilo.
Especialistas ouvidos pela defesa institucional destacam a necessidade de medidas rigorosas para evitar ecos de discriminação no setor público, especialmente em operações que lidam com pessoas vulneráveis. A Mitie afirmou reiteradamente que não há espaço para discriminação em seus negócios e que todas as acusações são tratadas com seriedade.
Panorama institucional
O caso envolve a atuação da Mitie como prestadora de serviços para o governo, em um contexto de fiscalização de conduta de funcionários que lidam com detentos e migrantes. O objetivo institucional, segundo a empresa, é assegurar conformidade com padrões de conduta ética e operacional. A investigação continua para esclarecer fatos e responsabilizar eventuais infrações.
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