- O senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, chamou de “atentado contra a democracia” a decisão liminar de Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilos da Maridt Participações.
- Vieira fez a declaração durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ligada ao Caso Master.
- A CPI investiga se a Maridt, que tem em seu quadro societário irmãos do ministro Dias Toffoli, serviu para lavar dinheiro ligado ao banco Master; a decisão seria parte do entrave à divulgação de origem dos recursos.
- O senador afirmou que a investigação do Caso Master, associada à decisão, mostraria na prática a infiltração do crime organizado no poder.
- A Transparência Internacional criticou a decisão, dizendo que reforça um padrão de favorecer investigados próximos a ministros, citando casos anteriores envolvendo Toffoli e a FGV.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que a decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, que anulou a quebra de sigilo da Maridt Participações, representa um ataque à democracia. Vieira comentou o caso em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Segundo o senador, a decisão ressuscita um processo arquivado há três anos para criar uma preventiva ficcional e, assim, proteger uma rede que evita o acesso a informações sobre a origem de recursos ligados à empresa mencionada, que envolve familiares de ministros.
A CPI investiga se o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, utilizou a Maridt Participações — com sócios descritos como familiares de Dias Toffoli — para operações de lavagem de dinheiro. Vieira sustenta que o desfecho pode evidenciar a infiltração do crime organizado no poder.
Vieira comentou ainda que a quebra de sigilos de autoridades políticas costuma enfrentar menos barreiras do que a de ministros do STF. Ao ser questionado sobre o sigilo de Fabio Luis da Silva, filho do presidente Lula, ele disse que já houve mais avanços contra autoridades em geral do que contra ministros.
A controvérsia ocorreu porque a Maridt argumentou que a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, autorizada pela CPI em fevereiro, não guardava relação com o foco da investigação das facções criminosas.
Contexto do caso Master
A Transparência Internacional criticou a decisão de Gilmar Mendes, afirmando que o magistrado costuma adotar estratégias para beneficiar investigados de seu interesse. A entidade apontou padrões semelhantes de atuação que evitam avanços em outras apurações ligadas a instituições associadas a Toffoli e a projetos acadêmicos conectados a Mendes.
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