- Interferência de GNSS (GPS) afeta navegação de aviões e navios em várias regiões, com relatos de muitos voos e operações marítimas impactados desde o ano passado.
- Em maio, o secretário de Defesa britânico John Healey enfrentou bloqueio do sinal satelital durante retorno da Estônia; pilotos usaram navegação inercial para determinar a posição.
- A Organização da Aviação Civil Internacional condenou a interferência e apontou Rússia e Coreia do Norte como principais responsáveis.
- Medidas estão sendo adotadas: União Europeia lançou plano de ações, Noruega instalou estações de monitoramento e a seguradora DNK lançou iniciativa para sinais de satélite mais resistentes.
- Especialistas ressaltam que a dependência de GPS torna a navegação vulnerável, aumentando riscos de acidentes e exigindo adaptação de tripulações e operações logísticas.
O incidente de interferência de sinais GNSS voltou a chamar a atenção em escala internacional. Em 21 de maio, durante o retorno do secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, de uma visita a tropas na Estônia, o avião da RAF perdeu sinais satelitais de navegação. A falha afetou a aeronave Dassault Falcon 900LX, com o pleno funcionamento dos instrum. de bordo comprometido, mas os pilotos encerraram o voo com segurança no Reino Unido.
A região do Mar Báltico tem registrado problemas recorrentes de navegação para navios e aeronaves, com sinais interferentes que distorcem ou suspendem a localização no cockpit. O episódio de Healey evidencia a vulnerabilidade de rotas de tráfego aéreo em áreas de alta densidade e tensão geopolítica.
Dados de 2025 indicam que cerca de 123 mil voos foram afetados nos primeiros quatro meses do ano pela interferência de GNSS, segundo autoridades europeias. Navios também enfrentam o mesmo problema, o que aumenta o risco em rotas marítimas densas e na coordenação com portos.
Em 2024, a ICAO já havia condenado as interferências e identificado a Rússia e a Coreia do Norte como principais agressores no uso de emissões de rádio para degradar os sistemas de navegação. O quadro atual mostra expansão do problema para o Oriente Médio, Red Sea e Golfo de Omã, entre outras regiões.
Segundo especialistas, a China, a Rússia e outras nações têm desenvolvido capacidade para falsificar ou perturbar sinais GNSS com relativa facilidade. Relatos de mercado apontam aumento do número de antenas de spoofing ligadas a atividades de interferência desde o início de 2025, especialmente na Europa Oriental.
A repercussão vai além da aviação: navios de carga dependem do GNSS para manobras próximas e para registros de tempo. A falha de sinais pode comprometer horários, avaliações de seguro e operações de logística, ampliando custos e riscos operacionais.
Medidas regulatórias começam a se intensificar. A União Europeia divulgou um plano de atuação para orientar tripulações e controladores de tráfego aéreo durante distúrbios. Noruega instalou estações de monitoramento adicionais para detectar interferências, e a DNK, seguradora marítima com sede em Oslo, lançou iniciativas para oferecer sinais de satélite de órbita baixa menos sujeitos a distúrbios.
Especialistas ressaltam a necessidade de soluções como navegação celestial e uso de sinais de redundância para reduzir a dependência exclusiva do GNSS. Ao mesmo tempo, governos enfatizam a cooperação internacional para mitigar riscos, melhorar detecção e estabelecer protocolos de resposta.
Entre na conversa da comunidade