- O ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, disse à Foreign Policy, durante o Fórum GLOBSEC, que, a seu ver, o presidente Donald Trump deixou a NATO mais forte a longo prazo.
- Budrys afirmou que aliados da NATO devem participar do conflito no Irã e ajudar a resolver a crise no estreito de Hormuz, destacando a necessidade de compartilhamento de responsabilidades.
- Quatro prioridades para a cimeira de Ankara: indivisibilidade da segurança da NATO, aumento dos gastos europeus com defesa, mecanismo previsível de apoio à Ucrânia e avanços na indústria de defesa transatlântica.
- Sobre a crise com drones na região, Budrys defendeu o reforço da fronteira europeia com capacidades anti‑drone e maior investimento no próximo quadro financeiro plurianual para resiliência na linha de frente.
- Sobre a decisão de enviar cinco mil tropas dos EUA para a Polônia, Budrys disse que os argumentos favoráveis à presença em território aliado são fortes e que a medida deve ser implementada em breve.
Donald Trump tem sido crítico da OTAN, mas a relação com a aliança ganhou contornos cada vez mais abruptos à medida que o conflito no Irã se intensifica. O presidente dos EUA tem cobrado que aliados contribuam mais e chegou a sugerir a retirada dos EUA da aliança.
Na prática, a demanda por participação de Eurásia no conflito preocupa governantes europeus. Em meio a esse acirramento, o tema voltou a ganhar fôlego após declarações de líderes que veem a situação como teste à coesão transatlântica.
Kestutis Budrys, ministro das Relações Exteriores da Lituânia, afirmou que Trump pode ter fortalecido a OTAN a longo prazo. Em entrevista à Foreign Policy, durante o fórum GLOBSEC em Praga, ele defendeu participação europeia na crise do Golfo.
Budrys defendeu que aliados da OTAN devem assumir parte da responsabilidade pela escalada na Península Arábica, destacando o estreitamento de cooperação com os EUA para lidar com a situação no Estreito de Hormuz. A ideia é ampliar o papel de defesa comum.
Segundo o ministro, a atenção se volta a Ankara, onde a cúpula da OTAN deve debater prioridades, como defesa destriada e resposta a ataques com drones. A reforçada vigilância do leste europeu aparece como prioridade, associada a uma defesa aérea integrada mais rápida.
Ele enfatizou ainda a necessidade de aumentar os gastos com defesa na Europa, a fim de cumprir a meta de 5% do PIB até 2035. Além disso, apontou a necessidade de uma abordagem abrangente à Rússia, com ações em diferentes domínios, incluindo ciber, espaço e ar.
Budrys comentou sobre a Ucrânia, defendendo um mecanismo previsível de apoio a longo prazo e o compartilhamento de encargos. O objetivo é manter uma linha estável de ajuda que vá além de empréstimos pontuais.
Em relação à defesa industrial, o ministro argumentou pela construção de uma indústria de defesa transatlântica, com menos barreiras comerciais e menos protecionismo, para competir com a Rússia. O foco é ampliar a produção conjunta.
Sobre o recado de Trump ao fluxo de tropas, Budrys afirmou que 5 mil militares dos EUA devem ser enviados à Polônia, conforme anúncio presidencial. A meta é fortalecer a linha de frente, segundo ele, com vantagens para ambos os lados.
No que se refere à atuação da OTAN na crise do Irã, Budrys ressaltou que os aliados devem assumir parte da responsabilidade. Ele destacou apoio da Lituânia a ações de desminagem e participação em missões lideradas pela coalizão marítima.
Para além do Irã, o ministro discutiu a escalada de tensões com drones na região balticamente próxima. Budrys disse que a UE precisa investir em capacidades fronteiriças, incluindo vigilância do flanco leste e contramedidas a drones.
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