- Em 2025, brigadas de incêndio do Reino Unido atenderam 1.760 incêndios ligados a baterias de íon-lítio, cerca de 4,8 ocorrências por dia, aumento de 147% em três anos.
- Baterias de íon-lítio alimentam grande parte de dispositivos, incluindo celulares, brinquedos, bicicletas elétricas e veículos elétricos; incêndios de veículos elétricos cresceram 133% no mesmo período.
- Ebikes responderam por quase um terço dos incêndios com baterias, com Londres registrando 230 ocorrências em 2025 e cinco fatalidades nos últimos três anos.
- Dados da QBE, obtidos por FOI, apontam que 46% dos incidentes ocorreram em residências e destacam participação desproporcional de ebikes modificadas ou convertidas.
- Autoridades destacam necessidade de regulamentação e maior conscientização, recomendando uso de baterias e carregadores certificados, armazenamento seguro e recargas longe de rotas de fuga, além de evitar recargas durante a noite.
O Corpo de Bombeiros do Reino Unido atendeu 1.760 incêndios ligados a baterias de íon de lítio em 2025, segundo dados obtidos pela seguradora QBE por meio de solicitações de FOI. O número equivale a 4,8 ocorrências por dia, um aumento de 147% nos últimos três anos.
O incremento acompanha a expansão de veículos elétricos e dispositivos alimentados por estas baterias, que vão de celulares e brinquedos a bicicletas elétricas e carros.
Especialistas alertam que a percepção pública e a regulamentação pública ainda não acompanham a ubiquidade desse risco.
Os dados indicam que os incêndios envolvendo veículos elétricos cresceram 133% no mesmo período, acompanhado pela multiplicação de veículos elétrificados nas ruas do país. A fatia de incêndios associada a bicicletas elétricas representa quase um terço do total nacional, com modelos convertidos ou retrocompatíveis respondendo desproporcionalmente aos chamados.
Foram 520 ocorrências envolvendo bicicletas elétricas em 2025, frente a 149 em 2022. A Brigada de Londres respondeu por 230 desses casos, 44% do total na capital. Ao longo de três anos, cinco fatalities foram registrados relacionados a esse tipo de incidente na região.
Spencer Sutcliffe, vice-comissário de prevenção da LFB, afirmou que a corporação continua extremamente preocupada com incêndios de ebikes e e-scooters e ressaltou a importância da conscientização pública. A regulamentação é considerada capaz de melhorar a segurança de produtos vendidos online.
Foi citado ainda que houve um incêndio devastador em Glasgow, ligado a uma loja de vapes, com consequências significativas para uma importante estação de trem. As baterias de íon de lítio, ao falhar, podem sofrer com a queda de controle térmico, liberando gases tóxicos, calor intenso e possibilidades de explosão.
A pesquisa de QBE reuniu dados de 46 dos 52 corpos de bombeiros da Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. A quase metade dos incêndios com baterias ocorreu em residências. O descarte inadequado dessas baterias, proibido em lixeiras comuns, tem gerado incêndios em caminhões de coleta e plantas de reciclagem, com custo anual estimado em mais de 1 bilhão de libras.
Adrian Simmonds, gerente de risco da QBE, destacou que o aquecimento excessivo das baterias exige maior esforço de combate e pode exigir até 10 vezes mais água. Ele orienta o uso apenas de baterias certificadas, armazenamento adequado e recarga longe de rotas de fuga, além de evitar recargas durante a noite.
O Conselho Nacional de Chefes de Bombeiros ressaltou que as informações refletem a realidade no terreno. O órgão manifesta preocupação com ebikes mal fabricadas, modificadas ou convertidas, que respondem por parcela desproporcional dos incidentes. Muitas ocorrências ocorrem em domicílios, com fatalidades já registradas.
A NFCC informou que trabalha com serviços de bombeiros, governo e parceiros para aprimorar pesquisas, orientações e conscientização pública. O ritmo tecnológico exige ações mais firmes para assegurar a responsabilidade industrial sobre a segurança de produtos e diretrizes claras para proteger vidas e reduzir incêndios.
A Federação dos Bombeiros, por sua vez, apontou a necessidade de investimentos para treinamento e equipamentos que respondam aos riscos emergentes, incluindo gases tóxicos gerados por incêndios de baterias de íon de lítio, que podem representar riscos à saúde de bombeiros e ao público.
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