- 41,2% dos brasileiros com dezoito anos ou mais reconhecem a presença de grupos criminosos no bairro, o que representa cerca de 68,7 milhões de pessoas convivendo com esse poder territorial.
- A percepção é maior nas capitais (55,9%), mas o fenômeno já está presente no interior (34,1%) e nas áreas da região metropolitana (46,0%).
- O relatório aponta difusão territorial de facções como PCC e Comando Vermelho, que teriam transformado o interior em entrepostos logísticos e espaços de disputa armada.
- Entre quem reconhece a atuação do crime, 61,4% dizem que ele influencia muito ou moderadamente as regras locais.
- A vitimização é maior em bairros dominados por facções: 51,1% relatam serem vítimas, ante 40,1% na média nacional, com aumentos em golpes digitais, roubos de celular e outros crimes.
O crime organizado se disseminou pelo interior do Brasil, não ficando restrito às metrópoles. O relatório divulgado neste domingo, 10 de março de 2026, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a presença de facções ou milícias no bairro onde moram. O estudo envolve 2.004 entrevistas realizadas em 137 municípios.
A pesquisa revela que cerca de 68,7 milhões de pessoas convivem com o poder territorial dessas organizações. Embora a percepção seja mais acentuada nas capitais (55,9%), a capilarização já alcança o interior e a região metropolitana, com 46,0% e 34,1%, respectivamente, reconhecendo atuação de facções nas vizinhanças.
Difusão e governança criminal
O relatório aponta um processo de difusão territorial e nacionalização de grupos como o PCC e o Comando Vermelho, que transformarão o interior em entrepostos logísticos e espaços de disputa armada. Entre os entrevistados que identificam a presença, 61,4% afirmam que o crime organizado influencia muito ou moderadamente as regras locais.
Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, define esse fenômeno como governança criminal, em que o poder do Estado coexiste com o do crime na regulação da vida cotidiana. A situação é descrita como um duopólio de violência, com a população convivendo sob regras impostas por facções.
Impactos no cotidiano e na violência
A pesquisa aponta consequências de medo e restrição de convivência: 81,0% temem ficar no meio de um confronto armado, 74,9% evitam frequentar certos locais, e 71,1% têm medo de ter um familiar envolvido com o tráfico. Além disso, 65,2% evitam circular em horários específicos e 64,4% temem represálias ao denunciar crimes.
Outros efeitos apontados incluem 59,5% que evitam falar sobre política no bairro, e 12,5% que se sentem obrigados a contratar serviços indicados pelo crime organizado, como internet ou TV a cabo. Ainda, 9,4% relatam pressão para comprar determinados produtos ou marcas.
Vitimização e zonas dominadas
O estudo mostra que residir em território com presença de crime organizado aumenta a probabilidade de vitimização. A taxa nacional é de 40,1%, mas sobe para 51,1% nesses bairros, um incremento de 11 pontos percentuais. Crimes de rua, golpes digitais e violência contra familiares também aparecem com maior frequência nessas áreas.
Sobre a metodologia da pesquisa
O relatório intitulado Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança foi realizado pelo Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 9 e 10 de março de 2026. A amostra abrangeu 2.004 entrevistas em 137 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, em nível de confiança de 95%.
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