- O medo da violência alterou a rotina de 57% dos brasileiros nos últimos 12 meses; 96,2% afirmam ter medo de ao menos uma situação de violência.
- Entre as mudanças, 36,5% mudaram trajetos habituais e 35,6% deixaram de sair à noite.
- 33,5% já deixam de sair com o celular por medo de assaltos; 26,8% retiraram alianças ou acessórios pessoais.
- O medo é maior entre mulheres e pessoas das classes D/E, com a experiência feminina descrita como “totalizante” e 40,9% das mulheres deixando de sair à noite.
- A pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” foi realizada pelo Datafolha para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 9 e 10 de março de 2026, com 2.004 entrevistas em 137 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O medo da violência alterou a rotina de 57% dos brasileiros nos últimos 12 meses, conforme o relatório Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha. A pesquisa aponta autoproteção como resposta dominante e mudanças estruturais no dia a dia.
Ao todo, 96,2% dos entrevistados dizem ter medo de ao menos uma situação de violência. Entre as principais mudanças, 36,5% mudaram seus trajetos habituais e 35,6% passaram a evitar sair à noite. Também houve queda no uso do celular em vias públicas: 33,5% deixam de sair com o aparelho por medo de assaltos.
Impacto desigual de gênero
A experiência de insegurança é mais intensa entre as mulheres, que mostram medo superior em todas as 13 situações avaliadas. O relatório descreve o medo feminino como totalizante, associando ameaças patrimoniais, físicas e sexuais.
40,9% das mulheres deixaram de sair à noite, enquanto 29,8% dos homens adotaram a mesma prática. Além disso, 37,8% das mulheres evitam circular com o celular, ante 28,9% dos homens. O medo de agressão sexual aparece em 82,6% dos casos envolvendo mulheres.
Impacto da desigualdade econômica
A desigualdade econômica orienta o conteúdo do medo, com classes altas mais preocupadas com crimes patrimoniais e digitais, e classes D/E vivenciando insegurança mais física e territorial. A prevalência de medo é maior entre D/E em todas as situações analisadas.
A pesquisa destaca que o custo social do medo é distribuído de forma desigual, acentuando vulnerabilidades de mulheres e de pessoas de renda mais baixa, com impactos na mobilidade e na rotina cotidiana.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com Datafolha, estudo realizado entre 9 e 10 de março de 2026, com 2.004 entrevistas em 137 municípios.
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