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Funcionários da NHS enfrentam onda de desinformação sobre suplementos

Desinformação sobre suplementos alimentares já é rotina para profissionais do Serviço Nacional de Saúde, ocupando tempo de consultas e colocando pacientes em risco

Patients’ belief in unproven dietary regimes, vitamins and minerals may be increasing their risk of getting cancer.
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  • Misinformação sobre suplementos como açafrão (turmeric), erva-de são joão (hipericina) e magnésio se tornou comum no NHS, com alegações vistas em redes sociais.
  • Dois em cada cinco profissionais de linha de frente dizem enfrentar pacientes com informações incorretas pelo menos uma vez por semana; entre enfermeiros e parteiras, esse percentual chega a cinquenta e três por cento.
  • Dispor-se a desmentir esses boatos tem ocupado tempo precioso das consultas, segundo médicos.
  • O Cancer Research Fund alerta que crenças em regimes nutricionais não comprovados podem colocar a saúde em risco e aumentar o risco de câncer.
  • O instituto lança uma campanha de três anos para destacar os riscos da desinformação e usa o planejamento de força de trabalho do NHS para garantir treinamento e recursos confiáveis para a equipe.

O NHS enfrenta uma onda de desinformação sobre suplementos alimentares, como açafrão, hipericão e magnésio. Segundo apuração exclusiva, combater boatos online tornou-se rotina entre clínicos, que atendem pacientes com dúvidas alimentares durante consultas.

Pesquisa do YouGov para a World Cancer Research Fund (WCRF) mostra que 40% dos profissionais de linha de frente encontram informações incorretas sobre suplementos pelo menos uma vez por semana. Entre enfermeiros e parteiras, o índice sobe para 53%.

A WCRF alerta que crenças em regimes nutricionais não comprovados podem colocar a saúde em risco e aumentar o medo de câncer. Profissionais de saúde destacam que esse acúmulo de informações consome tempo precioso nas consultas.

Desinformação e impactos

A médica Philippa Kaye relata que pacientes chegam às consultas com recortes de jornal, capturas de tela e vídeos de redes sociais, muitas vezes credenciando qualquer produto “natural” como seguro. Ela aponta que essa lógica é enganosa e potencialmente prejudicial, especialmente quando envolve medicamentos prescritos.

Kaye cita riscos de suplementos comuns: danos ao fígado, interações com outros fármacos e efeitos adversos de tipos diferentes de magnésio. Ela ressalta que a compra sem prescrição não garante segurança, nem garante eficácia clínica.

A pesquisa, que ouviu 795 profissionais do NHS antes da Semana de Ação contra o Câncer, revela ainda que muitos trabalhadores se sentem mal preparados para enfrentar crenças em terapias não embasadas. O objetivo é ampliar treinamentos e acesso a recursos confiáveis.

Ações e perspectivas

Steven Greenberg, diretor da WCRF no Reino Unido, afirma que boatos variam de remédios de uso veterinário a itens do cotidiano, passando por promessas de cura. Ele diz que pacientes, enfermeiros, médicos e nutricionistas percebem que a desinformação desvia do que realmente funciona na dieta e no estilo de vida.

Sharon Moffat, diagnosticada com câncer de mama em 2024, tornou-se ativista contra alegações sem evidência. Ela relata influxo de conselhos recebidos após tornar pública sua doença, muitos de origem duvidosa ou sem embasamento claro.

Uma nutricionista oncológica observa que muitos pacientes recorrem a suplementos buscando controle sobre a doença. Ela destaca que é essencial discutir evidências, riscos e benefícios com cada paciente.

O governo ressalta orientação: procure sempre um médico qualificado antes de mudanças na dieta, suplementos ou tratamento. Também incentiva a denúncia de conteúdos enganosos em plataformas digitais conforme normas de cada serviço.

A WCRF defende que, nos próximos três anos, as ações de prevenção vão priorizar o combate à má- informação. A associação também solicita que o plano de longo prazo da força de trabalho do NHS inclua treinamento específico para enfrentar esse “crise emergente” de desinformação.

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