- INCA alerta que jovens são as maiores vítimas da indústria da nicotina, com aromas e dispositivos que tornam a iniciação ao tabaco mais atraente.
- Dados da Opas apontam 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco na região; 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos.
- Anvisa proíbe aditivos que dão sabor/aroma em produtos derivados do tabaco (RDC 14/2012); indústria contesta a validade da norma.
- Estudo apresentado pelo INCA em 2025 mostra que cerca de metade das marcas de cigarros no Brasil não continham os aditivos vetados.
- STF é visto como chave para proibir esses aditivos e consolidar a norma, evitando novas contestação e reduzindo o tabagismo entre menores.
O INCA alertou sobre os riscos de cigarros com sabor e aroma entre jovens, destacando que a indústria da nicotina mira crianças e adolescentes. A posição foi apresentada pelo diretor-geral do INCA, Roberto Gil, em evento pelo Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
O Ministério da Saúde reforçou a preocupação com aromatizantes e dispositivos eletrônicos para fumar, usados para tornar o consumo mais atrativo entre jovens. O foco são cigarros aromáticos e DEFs, como vapes e pods, que adicionam sabores, cores e odores à experiência de uso.
A campanha deste ano aborda as estratégias da indústria fumageira para atrair novos consumidores, especialmente crianças e adolescentes. Dados da Opas indicam cerca de 2,6 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos que consomem tabaco na região, com dois milhões usando cigarros eletrônicos.
Regulamentação
A Anvisa, em 2012, instituiu a RDC 14/2012, que proíbe aditivos que conferem sabor, aroma, cores ou facilitem a palatabilidade de produtos derivados do tabaco. A norma visa reduzir o apelo entre jovens, mantendo o foco na proteção à saúde.
A indústria tem contestado a vedação em instâncias judiciais, argumentando que a proibição inviabilizaria parte da produção nacional. Contudo, estudo apresentado pelo INCA com dados da Anvisa mostra que metade das marcas de cigarros manufaturados em 2025 não continham os aditivos proibidos.
O pesquisador André Zsklo, coautor do estudo com Andre Luiz Oliveira da Silva, aponta que é possível manter produção sem aromas e sabores que estimulam a iniciação, mas a indústria não tem interesse mercadológico nesse formato.
Roberto Gil defende que o STF determine a proibição definitiva dos aditivos para consolidar a validade da norma e evitar disputas judiciais futuras, mantendo o objetivo de reduzir a entrada de jovens no tabagismo.
Riscos e ações
A coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil, Suyanne Caldeira Monteiro, afirma que prevenir a iniciação é prioridade no combate ao uso de nicotina entre jovens. Não existem dispositivos eletrônicos de fumar seguros para adolescentes ou jovens adultos.
O tabagismo é fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. O Ministério da Saúde, via INCA, coordena o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que atua na prevenção, cessação e proteção da população contra a fumaça do tabaco.
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