- O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou em Lyon, França, um protocolo inédito de rastreamento do câncer colorretal usando o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos, a partir do segundo semestre.
- A medida amplia o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce para mais de 40 milhões de brasileiros e integra a estratégia do programa Agora Tem Especialistas.
- O FIT detecta sangue oculto nas fezes, não exige restrições alimentares, pode ser feito com uma única amostra e pode chegar a até 92% de detecção; pacientes com resultado positivo seguem para colonoscopia.
- Também em Lyon, foi assinado acordo entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) para cuidado oncológico, englobando pesquisa, ensino, desenvolvimento tecnológico e políticas públicas.
- Em agenda separada, Padilha visitou a Sanofi e manteve reuniões bilaterais com os ministros da saúde da Indonésia e da França para fortalecer a cooperação e ampliar o acesso a tratamentos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou em Lyon, França, um protocolo inédito para rastreamento e detecção precoce do câncer colorretal. A medida, apresentada nesta quinta-feira (21), passa a considerar o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para adultos assintomáticos entre 50 e 75 anos. A iniciativa visa ampliar o acesso à prevenção no Brasil.
A mudança faz parte da estratégia do governo brasileiro, dentro do programa Agora Tem Especialistas, para criar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. A detecção baseada na atenção primária terá apoio de centros especializados em imagem e colonoscopia, se necessário. Dados nacionais apontam o câncer colorretal como segunda neoplasia mais incidente após pele não melanoma.
O FIT não exige restrições alimentares, usa uma amostra simples e pode detectar até 92% dos casos de câncer colorretal. O exame orienta se o paciente precisa ou não de colonoscopia, o que aumenta a precisão do diagnóstico e reduz procedimentos desnecessários.
Protocolo FIT
O uso do FIT como triagem deve reduzir a mortalidade por câncer colorretal ao indicar casos que merecem investigação diagnóstica mais rigorosa. A partir do segundo semestre, o exame será disponibilizado para a faixa etária indicada, com resultados rápidos, custo menor e maior praticidade.
Recentes dados oficiais indicam que o câncer de intestino tem alta incidência no Brasil, com projeção de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, segundo o INCA. A expansão da prevenção intensifica ações de saúde pública já previstas no SUS.
Investimentos e parcerias
Na semana passada, o governo informou a maior entrega já realizada pelo SUS para oncologia, com 2,2 bilhões de reais. As medidas incluem financiamento de 23 medicamentos de alto custo, incorporação de cirurgias robóticas oncológicas e ampliação de reconstrução mamária. Em 2025, o Brasil manteve recordes de radioterapia e quimioterapia pelo programa Agora Tem Especialistas.
Em Lyon, Padilha assinou memorando entre Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) para cooperação em pesquisa, ensino, tecnologia e políticas públicas. Participaram Priscila Ferraz e Elisabete Weiderpass, respectivamente, em nome da Fiocruz e da IARC.
Padilha destacou a importância da parceria científico-tecnológica para o cuidado oncológico, ressaltando o papel da ciência na formulação de políticas públicas. O ministro também manteve encontros com os ministros da Saúde da Indonésia e da França, ampliando a cooperação internacional.
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