- Estudo da Universidade da Califórnia em São Francisco analisou prontuários de quase 40 mil pacientes e identificou mais de 600 associações entre endometriose e outras condições médicas.
- As ligações vão desde infertilidade e doenças autoimunes até asma, enxaqueca, refluxo gastroesofágico, doenças oculares e alguns tipos de câncer.
- Os dados, obtidos em seis centros de saúde da Califórnia, foram analisados com ferramentas computacionais para comparar pacientes com e sem endometriose.
- A pesquisa reforça a visão de que a endometriose envolve mecanismos que vão além da pelve, com inflamação e alterações do sistema imune potencialmente impactando várias partes do corpo.
- A autora sênior destaca que, se confirmadas, as associações podem ajudar no reconhecimento precoce e encaminhamentos mais rápidos para diagnóstico, que ainda depende de cirurgia com biópsia.
A endometriose pode estar associada a mais de 600 outras condições de saúde, aponta estudo da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF). A pesquisa, publicada na revista Cell Reports Medicine, analisou prontuários de quase 40 mil pacientes atendidos em seis centros de saúde da Califórnia (EUA). Os dados foram obtidos de forma anônima e avaliados com ferramentas computacionais.
Os pesquisadores comparam casos com e sem endometriose para identificar padrões em históricos médicos. Entre as ligações encontradas estão infertilidade, doenças autoimunes, enxaqueca e asma, além de refluxo gastroesofágico, doenças oculares e alguns tipos de câncer. Marina Sirota, autora sênior, afirma que os resultados reforçam a necessidade de abordar a doença de forma mais ampla.
A endometriose envolve tecido semelhante ao endométrio crescendo fora do útero, em locais como ovários, tubas, intestino ou cavidade abdominal. A condição é crônica, pode recidivar e ainda não tem cura definitiva. Aproximadamente 200 milhões de pessoas no mundo são afetadas, segundo a OMS, com mais de sete milhões no Brasil.
O estudo reforça que a doença não se limita à pelve. O desequilíbrio imunológico e inflamatório pode explicar fadiga, dor disseminada e dificuldades de concentração, aspectos já descritos por pacientes. A hipótese mais aceita continua sendo a menstruação retrógrada, com componentes ainda não totalmente compreendidos.
Diagnóstico definitivo depende de cirurgia com biópsia, mas exames de imagem melhoraram a detecção. O atraso no diagnóstico é comum: a média no Brasil é de cerca de sete anos, segundo pesquisas anteriores. Os dados da UCSF podem ajudar a reduzir esse tempo ao reconhecer padrões entre especialidades.
Tratamentos seguem a linha de manejo da doença e incluem anti-inflamatórios, terapias hormonais e cirurgia para remoção do tecido endometriótico. Em muitos casos, os sintomas retornam com a interrupção do tratamento. Pesquisas avaliam efeitos da atividade física, alimentação e suplementação na qualidade de vida.
Além disso, há investigações sobre métodos de diagnóstico menos invasivos e tratamentos que impeçam a formação de cicatrizes internas. A medicina de precisão ganha espaço, com busca por marcadores biológicos que permitem diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais personalizados.
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