- A PeNSe ouviu 118.099 alunos de 13 a 17 anos em 2024 e constatou que 30% se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes.
- Também houve 42,9% de alunos irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa e 18,5% que pensam que a vida não vale a pena ser vivida.
- Quase 26,1% afirmaram que ninguém se preocupa com eles; 20% disseram ter sido agredidos fisicamente pelos pais ou responsáveis nos últimos 12 meses.
- Ao todo, cerca de 100 mil estudantes tiveram lesões autoprovocadas nos 12 meses anteriores, com altos percentuais de sentimento de tristeza constante, irritação e sensação de que a vida não tem sentido, além de bullying em 69,2% dos casos.
- O acesso a apoio psicológico é limitado: menos da metade das escolas oferece algum tipo de suporte, 34,1% contam com profissional de saúde mental na escola e há canais de apoio como o Centro de Valorização da Vida (CVV) 188 para atendimento.
O IBGE divulgou nesta quarta-feira (25) os resultados da PeNSe, que avalia a saúde mental de estudantes. A pesquisa ouviu 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos, em 4.167 escolas públicas e privadas em 2024, com representatividade nacional. O quadro aponta sinais preocupantes de sofrimento emocional.
Três em cada dez jovens relatam tristeza constante ou quase diária. Quase metade se diz irritada ou nervosa com facilidade. Ainda, 18,5% já pensaram que a vida não vale a pena. O levantamento traça um panorama com impactos na vida escolar e social.
Mais de 42% dos entrevistados afirmaram sentir irritação frequente; 26,1% disseram que ninguém se importa com eles. Também houve relatos de agressões físicas com familiares. A pesquisa alerta para a necessidade de acolhimento e redes de apoio.
Desamparo
Apesar da gravidade dos números, menos da metade das escolas oferecia apoio psicológico. Em redes privadas, 58,2% tinham algum suporte; na pública, 45,8%. A presença de profissional de saúde mental na instituição foi citada por apenas 34,1% dos estudantes.
O Ministério da Saúde reforça a importância do diálogo com alguém de confiança. Serviços como CAPS, UBS, UPA 24H, SAMU e CVV estão disponíveis para atendimento e orientação. O CVV funciona 24 horas por telefone, chat, e-mail e voip.
Saúde mental e gênero
Os resultados apontam diferenças entre meninas e meninos em todos os indicadores. Entre as meninas, 41% se sentem tristes com frequência, ante 16,7% dos meninos. Vontade de se machucar aparece em 43,4% vs 20,5%. Irritabilidade: 58,1% contra 27,6%.
Pensar que a vida não vale a pena é relatado por 25% das meninas e 12% dos garotos. Ainda, 39,7% das meninas acreditam que os pais não entendem suas preocupações, contra 33,5% entre os meninos. Em relação a sentir que ninguém se importa, são 33% vs 19%.
Autoagressões
A amostra indica que cerca de 100 mil estudantes realizaram algum ato autolesivo nos 12 meses anteriores à PeNSe, equivalente a 4,7% do grupo que sofreu qualquer lesão no período. Entre eles, 73% relatam tristeza constante, 67,6% irritação e 62% perda de sentido na vida.
O levantamento aponta ainda que 69,2% já sofreram bullying, elevando o risco entre quem se autolesou. Entre as meninas que se feriram, 6,8% usaram a autopressão, contra 3% dos meninos.
Imagem corporal
A satisfação com a própria imagem caiu desde 2019, de 66,5% para 58%. A queda é mais expressiva entre as alunas, com mais de um terço insatisfeitas com a aparência. Mais de 31% das estudantes procuram perder peso, mesmo entre 21% que se consideram gordas ou muito gordas.
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