- Ministério da Saúde lançou um levantamento inédito, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, para mapear o perfil do profissional da odontologia no Brasil e orientar políticas públicas.
- O país conta com 665.365 profissionais de saúde bucal ativos, sendo 415.938 cirurgiões-dentistas; a densidade é de 19,55 dentistas por dez mil habitantes, com grande desigualdade regional.
- A força de trabalho é majoritariamente feminina nas atividades clínicas (65,5% dos dentistas; 93,8% dos técnicos; 96,4% dos auxiliares), com predomínio masculino na área de prótese dentária.
- O mercado registra expansão de formação, com mais de 650 cursos de odontologia (cerca de noventa por cento privados) e retomada de vínculos formais em 2023, embora haja desequilíbrio entre profissionais e vagas, especialmente para dentistas.
- Região Sudeste permanece com maior concentração de empregos; Norte e Nordeste apresentam crescimento recente, indicando interiorização, além de descompasso entre dentistas e equipes de apoio e aumento de contratos temporários.
- O Brasil Sorridente, política do Ministério da Saúde, garante atendimento odontológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde, com foco em atenção primária e serviços especializados.
O Ministério da Saúde lançou, nesta segunda-feira, um levantamento inédito sobre o perfil do profissional da odontologia no Brasil, em parceria com a UFMG. O objetivo é mapear gargalos, apoiar políticas públicas e estimular o debate entre especialistas, gestores e a sociedade. O estudo é o primeiro volume da série demográfica da área.
A pesquisa aponta que a força de trabalho em saúde bucal no país soma 665.365 profissionais com registro ativo nos Conselhos Regionais de Odontologia, considerando pessoas de até 80 anos. Desses, 415.938 são cirurgiões-dentistas, representando quase o dobro das demais categorias. A densidade é de 19,55 dentistas por 10 mil habitantes, mas há grande desigualdade regional, com Sudeste mais alongado e Norte com menor contingente.
O relatório revela a distribuição geográfica e estrutural da mão de obra, destacando a chamada “pirâmide invertida”: predomina o nível superior, com menor presença de técnicos e auxiliares, o que pode impactar eficiência e qualidade do atendimento. A divulgação reforça a transparência e o uso de evidências para políticas públicas.
Perfil por gênero e idade
A força de trabalho é majoritariamente feminina na prática clínica, com 65,5% das cirurgiãs-dentistas, 93,8% das técnicas e 96,4% das auxiliares. Nas áreas laboratoriais, a liderança é masculina. Dentistas e técnicos concentram-se entre 30 e 39 anos, enquanto auxiliares costumam ser mais velhos. Profissionais de prótese apresentam envelhecimento mais acentuado.
O estudo aponta expansão da formação: o número de cursos de odontologia cresceu quase 618% entre 1991 e 2023, totalizando mais de 650 cursos, predominantemente privados. No mercado de trabalho, houve alta entre 2003 e 2012, com retomada de 11,4% de vínculos formais em 2023.
Desafios de mercado e desigualdades regionais
Apesar do crescimento, há desequilíbrios entre profissionais e vagas. Entre cirurgiões-dentistas, há apenas 0,17 vínculo formal por profissional, sugerindo grande atuação autônoma ou informal. O setor público concentra 80,9% dos vínculos dos dentistas, enquanto técnicos e auxiliares atuam majoritariamente no privado.
Economia de contratação mostra sinais de precarização, com aumento de contratos temporários e salários baixos, especialmente entre técnicos e auxiliares. A interiorização tem ganhado força, com Norte e Nordeste registrando crescimento recente, enquanto Sudeste permanece dominante.
Especialização e lacunas na saúde bucal
Cerca de 27,6% dos dentistas possuem especialização, com ênfase em Ortodontia, Implantodontia e Endodontia, concentradas no Sudeste e Sul. O crescimento de 62% no número de especialistas entre 2013 e 2024 não elimina lacunas em áreas-chave para o SUS, como Patologia Oral e Prótese Bucomaxilofacial.
Governo e ações estratégicas
As ações em saúde bucal são organizadas pela Política Nacional de Saúde Bucal, o Brasil Sorridente, que garante atendimento gratuito pelo SUS. A rede inclui equipes de saúde bucal nas Unidades Básicas de Saúde, Centros de Especialidades Odontológicas e Laboratórios Regionais de Prótese Dentária.
Em 2024, a política recebeu o maior investimento da história, com foco na expansão da cobertura e qualificação da Rede de Atenção à Saúde Bucal. A atuação abrange prevenção, tratamento e produções de próteses, incluindo áreas remotas e populações indígenas e quilombolas.
Entre na conversa da comunidade