- Ivan Rogers, ex-embaixador britânico em Bruxelas, afirma que o Labour chegou ao poder sem uma ideia firme sobre a relação futura com a UE; o manifesto foi visto como “picotado” e sem impacto claro na economia do país.
- Ele diz que o Labour apresentou um conjunto de questões sobre a UE que não chegava perto de enfrentar o desafio atual, e que a ideia de um mercado único para bens foi impensável para o bloco.
- A reportagem do Guardian mostrou que o governo enviou um alto funcionário a Brussels para buscar um mercado único para bens sem livre circulação de pessoas, algo comparado ao fracassado plano de Chequers de Theresa May.
- Rogers afirma que a União Europeia não aceitará alinhar e divergir de forma seletiva com o Labour, como não aceitou com o governo anterior; as linhas vermelhas impedem mudanças significativas.
- O Labour prometeu acordo veterinário com a UE, apoio a artistas em turnê e reconhecimento mútuo de qualificações; Rogers classifica isso como “fare tecnológico” irrelevante para líderes europeus que querem saber onde o Reino Unido se posiciona a longo prazo.
- A UE já mostrou abertura para considerar a adesão britânica ao Espace Econômico Europeu; a gestão da livre circulação é complexa; o Tesouro e o Banco da Inglaterra resistem a modelo norueguês em serviços financeiros; Rogers diz que, passados dez anos, continuam os mesmos debates.
Ivan Rogers, ex-embaixador britânico na União Europeia (2013-2017), afirma que o Labour chegou ao poder sem uma ideia clara sobre o relacionamento futuro com a UE. Segundo ele, o programa do partido apresentou um conjunto disperso de propostas sobre a UE, sem oferecer um caminho coerente para o momento atual.
O ex-diplomata avalia que o Labour não apresentou um conjunto de propostas que corresponda aos desafios tecnológicos, comerciais e políticos da última década. Ele afirma que, em termos macro, o conjunto de propostas não alteraria significativamente a economia britânica.
Rogers relembra que, dez anos após o plebiscito pelo Brexit, é difícil entender a defesa do Labour de uma posição de mercado único para bens sem livre circulação de pessoas. Segundo ele, tal opção contraria linhas vermelhas já estabelecidas pela UE.
A reportagem do Guardian revelou, no mês passado, que o governo britânico enviou um alto funcionário a Brussels para buscar um mercado único para bens, sem a livre circulação de pessoas, uma ideia recebida com ceticismo pela UE, que compara o movimento a tentativas anteriores fracassadas.
O ex-diplomata afirma que a União Europeia não está disposta a aceitar um modelo de alinhamento seletivo, que combine elementos de convergência com divergências, prática que não seria diferente do que ocorreu com governos anteriores.
Entre os episódios marcantes de sua carreira, Rogers pediu demissão em janeiro de 2017 após críticas do Partido Conservador sobre conselhos a respeito das negociações do Brexit. Ele atuou posteriormente como crítico da gestão de May e de Johnson.
Em entrevista, Rogers aponta que o Labour chegou ao poder sem ter uma proposta robusta para resolver o que chamou de Brexit mal executado. Ele ressalta que esse diagnóstico não foi acompanhado de uma estratégia europeia clara.
Ao mencionar comentários recentes do ministro das Finanças e de Keir Starmer sobre os danos do Brexit, o ex-diplomata afirma que não houve uma conclusão convincente sobre uma linha estratégica que guie o Reino Unido nos próximos anos.
O Labour defendeu, em parte, a ideia de um acordo veterinário com a UE para reduzir checagens nas fronteiras, além de apoiar artistas em turnê e o reconhecimento mútuo de qualificações profissionais. Rogers considera tais propostas técnicas relevantes, mas insuficientes para responder às grandes questões de relação com a UE.
Ele sustenta que as linhas vermelhas do Labour dificultam acordos com parceiros comerciais e de investimento. A UE, por sua vez, informou estar aberta a considerar a entrada britânica no Espaço Econômico Europeu, que inclui 30 países, entre eles Noruega.
Rogers também aponta que a gestão da mobilidade de pessoas envolve escolhas políticas complexas. Segundo ele, o setor financeiro britânico resistiria a um modelo em que serviços financeiros fossem regulados principalmente pela UE sem participação britânica institucional.
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