- Durante reunião ministerial, Lula subiu o tom contra os Estados Unidos e disse que o Brasil não aceitará o tratamento recebido diante de novas tarifas anunciadas contra produtos brasileiros.
- O presidente afirmou ter ficado surpreso com a ameaça tarifária, enquanto as negociações com Washington ainda estavam em curso desde o encontro com o presidente Donald Trump.
- Lula revelou ter entregue pessoalmente a Trump quatro documentos prioritários sobre cooperação no combate ao narcotráfico, questões comerciais, o programa nuclear iraniano (proposta Brasil e Turquia, de 2010) e um relatório sobre terras raras.
- O chefe do Executivo criticou Marco Rubio, dizendo que é “latino-americano frustrado”, mas declarou que pretende manter o diálogo com os EUA e enviar uma nova carta a Trump.
- Lula confirmou que o Brasil participará do encontro do G7, entre 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França, com a presença de Trump, e afirmou que o país defende soluções negociadas e multilateralismo.
O presidente Lula subiu o tom contra os Estados Unidos em uma reunião ministerial nesta quarta-feira 3, após a confirmação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Ele disse que o Brasil não aceitará o tratamento de Washington e mostrou surpresa com a ameaça tarifária.
Lula lembrou que as negociações entre Brasil e EUA estavam em andamento desde o encontro com o presidente Donald Trump, em 7 de maio, na Casa Branca. A reunião durou mais de três horas e terminou com a possibilidade de solução em até 30 dias.
Durante o encontro, o presidente afirmou ter entregue a Trump quatro documentos prioritários para a relação bilateral: cooperação no combate ao narcotráfico, questões comerciais, a proposta Brasil–Turquia sobre o programa nuclear iraniano e um relatório sobre terras raras.
O petista disse que a discussão ainda não havia encerrado quando surgiu a nova ameaça tarifária. Ele criticou a forma como o anuncio ocorreu e mencionou a surpresa com a decisão de impor novas taxações.
Lula dirigiu críticas ao secretário de Estado Marco Rubio, afirmando que o político não gosta da região. Apesar dos ataques, o presidente afirmou que manterá o diálogo com Washington e informou que enviará uma nova carta a Trump.
Na terça-feira 2, em Goiás, Lula chamou os filhos de Jair Bolsonaro de vendilhões da pátria e disse que atuaram para que outro país interferisse no Brasil. Na mesma ocasião, classificou o senador Flávio Bolsonaro como imbécil e covarde.
O chefe do Executivo também mencionou que Flávio Bolsonaro esteve com Trump recentemente. O congressista teria pedido que o governo americano poupasse empresas brasileiras das novas tarifas e enviado uma carta a Rubio pedindo suspensão das medidas.
Nesta quarta, Lula afirmou que a crise comercial pode reforçar a defesa do multilateralismo e das instituições internacionais. O presidente disse que, diante do cenário global, o Brasil passará a imaginar a participação no próximo encontro do G7.
O G7 está marcado para ocorrer entre 15 e 17 de junho em Évian-les-Bains, na França, com a presença de Trump. Lula disse que o Brasil reagirá ao que chamou de desmonte do multilateralismo, da democracia e da valorização das instituições.
Segundo o presidente, o Brasil defenderá soluções negociadas para conflitos internacionais. Para ele, a alternativa é a paz, caso contrário não haverá qualquer acordo viável. O tom da fala reforça a posição oficial do governo brasileiro.
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