- Professora Carolina Pedroso, da Unifesp, afirma que discursos de Donald Trump e Delcy Rodríguez indicam que o setor petroleiro foi usado como moeda de troca na relação entre EUA e Venezuela.
- Segundo Pedroso, o petróleo aparece como principal instrumento de barganha para manter o chavismo em troca de concessões econômicas aos Estados Unidos.
- Há sinais de disputa interna no chavismo entre grupos radiciais que defendem controle rígido da economia e outros que defendem maior abertura ao capital estrangeiro.
- O cenário envolve também o interesse de Delcy Rodríguez em viabilizar acordos com os EUA, mesmo com discurso duro, e de Trump em manter uma intervenção mais cuidadosa e estratégica.
- No curto prazo, o governo venezuelano sob Delcy Rodríguez poderia buscar equilibrar interesses internos para preservar a continuidade do processo político, diante de um ataque militar recente.
Donald Trump e Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, sinalizaram que o petróleo pode ter sido usado como moeda de troca em negociações que se seguem à ação militar dos EUA na Venezuela. A avaliação é de Carolina Pedroso, professora de relações internacionais da Unifesp, ao UOL News.
Segundo Pedroso, o setor petrolífero emerge como principal ponto de barganha entre Washington e Caracas, com a possibilidade de favorecer a permanência do chavismo mediante concessões econômicas aos Estados Unidos. A professora aponta indicativos nas falas de ambos os lados.
A pesquisadora ressalta ainda que o cenário envolve disputas internas no chavismo, com facções defendendo controle rígido da economia e outras buscando maior abertura ao capital estrangeiro. Há sinais de pragmatismo para viabilizar acordos, conforme análise.
A crítica econômica e política interna envolve a visão de soberania e defesa de recursos estratégicos, questionando até que ponto as elites militares apoiam mudanças no poder. O tribunal de interesses aponta para um equilíbrio temporário entre estruturas de poder e novas expectativas.
Na prática, diante do ataque militar, o governo venezuelano sob Delcy Rodríguez pode buscar consolidar apoio interno ao admitir ajustes para preservar o processo político e as bases de poder. A leitura considera objetivos estratégicos de curto prazo.
Para entender a postura de Washington, a análise destaca a diferenciação de intervenções recentes em comparação com ações anteriores no Oriente Médio, com foco em operações mais precisas e menos invasivas. O objetivo seria manter margens de influência sem desestabilizar a Venezuela.
- Contexto estratégico interno: diferentes correntes chavistas pressionam por diferentes caminhos para a economia e o capital externo, o que pode influenciar futuras negociações.
- Perspectiva de Trump: a atuação é vista como mais cirúrgica, buscando evitar grandes abalos à estrutura de poder na Venezuela, ao mesmo tempo em que evita desfechos imprevisíveis.
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